Edição 23

Editorial

Uma das conseqüências positivas de estudar e conhecer a História é a serenidade que oferece a perspectiva de poder observar fenômenos que acreditávamos exclusivamente próprios do presente. Juntamente com esse enfoque, as conseqüências devem ser por um lado o necessário aprendizado do passado e, por outro, o desafio à imaginação para que busque soluções novas para os problemas que a Humanidade enfrenta desde o mundo antigo.

Nesse marco, situamos o fenômeno das migrações humanas, esses movimentos de povos que, em grande número, deslocam-se na busca de melhores condições de vida. A história recolheu inúmeros testemunhos destes episódios, em toda a sua variedade. Tais deslocamentos não foram sempre pacíficos, pois no fundo sempre surge o velho problema do sentido da possessão do território como algo exclusivo das culturas dominantes, entre outros muitos aspectos desta complexa questão. Em muitas ocasiões, a chegada de novos povos enriqueceu notavelmente os receptores e produziu uma síntese criativa, que ainda nos espanta: surgiram novas culturas, pois não devemos esquecer que as idéias, as heranças culturais também migram, junto com as pessoas que as portam.

Não é novo, de fato, o fenômeno da busca da sobrevivência que presenciamos dolorosamente todos os dias nas páginas dos jornais, quando nos informam da odisséia de tantos jovens do continente africano vizinho, até às costas européias, onde habitam seus sonhos de uma vida melhor.

No entanto, o que, de fato, é uma característica do nosso presente é a variedade de meios de que dispomos para atuar sobre as causas que produzem este lacerante efeito que vitima tantas vidas humanas, e que não é outro que a desigual distribuição dos bens e riquezas no mundo, sobre o qual dispomos de abundante informação. Pode-se lutar contra a pobreza e as injustiças que fazem com que milhares de seres humanos coloquem em jogo a vida para conseguir o que outros desfrutam em meio à inconsciência e ao egoísmo. Dispomos de instrumentos mais que suficientes para consegui-lo. Apenas é preciso que aqueles que possam pôr em prática essas medidas queiram fazê-lo e contem com o respaldo necessário para isso. É nosso dever reclamar para que isso seja levado a cabo e aportar com a nossa contribuição, por pequena que seja, para que a esperança se acerque dos que a perderam por culpa da injustiça do mundo.

Mosaico

Falando de faróis

Dos 13.700 faróis que existem no mundo, apenas 1.500 estão em funcionamento. A Espanha, pela amplitude das suas costas, é o país europeu que na atualidade conta com o maior número de faróis, exatamente 189.

Seu corpo imponente é, de certo modo, flexível: para amenizar a força dos choques, uma torre bem calculada deve admitir certas oscilações que diminuam o embate das ondas quando a natureza se desata em todo o seu esplendor.

Na antiguidade, duas das sete maravilhas do mundo eram faróis: o de Alexandria e o Colosso de Rodes.

Julio Verne imortalizou um deles na sua obra “O farol do fim do mundo”; trata-se do de San Juan de Salvamento (Argentina).

Seus construtores necessitam conhecer quatro dados fundamentais relacionados ao local: a força do vento, o empuxo das ondas, a altura do terreno e o alcance necessário para a luz. Devido à automatização de seus sistemas, a figura que outrora os habitara, o “faroleiro”, praticamente desapareceu, mas o romantismo que os faróis incorporam faz com que, se estão em mau estado, surjam associações ou particulares que se oferecem para reabilitá-los ou comprá-los, com idéias originais para seu futuro: desde hotel ou uma central de pouso de aves, a restaurante para celebrar bodas. De alguma maneira são “seres vivos” que se integram na paisagem. Seu olho de luz, sempre alerta, fala-nos de solidão e silêncio, mas também de ajuda e orientação aos que navegam perdidos… Admirável motivo que convida à reflexão.

María Teresa Cubas

O Quixote em Quíchua

Aproximadamente 20 milhões de sul-americanos que falam quíchua já têm a oportunidade de ler na sua própria língua as aventuras do engenhoso fidalgo Dom Quixote de la Mancha, a obra mais conhecida de Miguel de Cervantes – que agora foi traduzida ao quíchua – um idioma indígena que,  somente no Peru, conta com cinco milhões de falantes.

O tradutor da obra, Demetrio Túpac Yupanqui, é descendente direto dos incas, assim como um dos maiores conhecedores do quíchua. Por isso, o jornalista e criador da rota Quetzal, Miguel de la Cuadra Salcedo, dirigiu-se a ele, ao considerar que a obra mais internacional da literatura espanhola deveria estar traduzida ao quíchua e superar assim as mais de 70 línguas nas quais Dom Quixote está transcrito.

Em declarações à Televisão Europa Press, Demetrio comentou, portanto, que “a genialidade” de traduzir o Quixote foi de Miguel De la Cuadra, que acreditou que a iniciativa devia ser posta em andamento porque constituía “uma obrigação moral de defesa deste idioma e do povo quíchua”.

Neste sentido, Demetrio destacou o grande trabalho do propulsor do projeto na tarefa de divulgar o conhecimento do quíchua, já que, segundo afirmou, “estudou-se sua fonética, mas o que faltava era que as autoridades da educação difundissem como se devia escrever”.

“Não temos pessoal preparado para isso. Escreve-se como se fala e isso é horrível. São escritos disparates”, acrescentou.

Desse modo, relatou que a tradução levou mais de sete meses de intenso trabalho dele e da sua equipe, cuja fase de documentação foi muito importante.

“Demorou mais de sete meses. Em alguns dias a tradução era bastante fácil e em outros dias não traduzíamos mais do que uma ou duas linhas, mas isso era suficiente para que ficássemos contentes. Não havia pressa, mas sim interesse em fazer bem as coisas”, explicou.

Na hora de levar a cabo a tradução literal da obra, Demetrio afirmou não ter tido problemas com isso, uma vez que, tal e como assinalou, o quíchua conta com uma “grande riqueza de sinônimos” que lhe permitiram realizar o trabalho sem dificuldade.

Finalmente, Demetrio destacou que, por exemplo, Dom Quixote de la Mancha permanece intacto, sem modificação alguma, já que se isso não ocorresse “não seria Quixote”. “A alegria está na esperança de que o quíchua esteja inserido nas melhores bibliotecas do mundo e entre os livros em 70 idiomas”, concluiu.

Fonte: Agências Iblnews

A arte da ciência 2006

Múltiplas e variadas foram as inter-relações entre a Arte e a Ciência, desde o mundo antigo, o Renascimento até a época atual.

Grandes descobertas científicas ajudaram a plasmar grandes obras de arte e vice-versa, e grandes pensadores e cientistas buscaram sua inspiração na beleza e harmonia da Natureza.

Um curioso concurso promovido pela Universidade de Princeton, na sua segunda edição, publicou os resultados das melhores imagens e, pela primeira vez também vídeos e sons, produzidos pelos seus empregados durante o ano e publicados em Art of Science Competition / 2006 online gallery: Todas estas imagens, sons e vídeos foram obtidos durante a realização de pesquisas científicas ou incorporam ferramentas e conceitos da ciência.

Originadas de 16 departamentos, foram selecionadas obras audiovisuais procedentes pura e simplesmente de pesquisas científicas, que resumem muito bem o propósito de perpetuar um momento singular, seja na arte como na ciência, em que o resultado é mais que a soma de suas partes: percebe-se uma Unidade, uma Vida, uma Harmonia.

As imagens surgiram de diferentes momentos e circunstâncias, validando anos de pesquisa, ou o chegar à epifania da beleza após um dia insípido no laboratório, ou a meditação de um pintor acerca do sentido biológico da vida.

Agradecemos pela colaboração de todos os participantes por compartilhar sua imaginação e o fruto de suas pesquisas, reafirmando os profundos vínculos entre Ciência e Arte.

http://www.princeton.edu/~artofsci/gallery2006/index.html

A antártica descongelará em 2100

As capas de gelo da Groenlândia e da Antártida dissolver-se-ão quase na sua totalidade no ano 2100, segundo dois estudos, um da Universidade do Arizona em Tucson e outro do Centro Nacional de Investigação Atmosférica em Boulder (Estados Unidos), que foram publicados na revista Science.

Segundo diversos estudiosos, a Terra poderia ser suficientemente quente no ano de 2100 para o descongelamento geral da placa de gelo da Groenlândia e o colapso parcial da capa de gelo da Antártida. Os trabalhos de investigação realizaram diversas comparações entre os modelos climáticos da Terra há 129.000 anos e os do próximo século. Tanto no Ártico como na Antártica, a capa de gelo foi diminuindo progressivamente nos últimos anos devido, sobretudo, ao aquecimento das capas de profundidade intermediária do mar.

Os cientistas utilizaram uma combinação de dados paleoclimáticos, um modelo climático e um modelo das capas de gelo para determinar o tamanho da capa gelada da Groenlândia durante o último período interglacial, há 129.000 anos, quando o nível do mar era de vários metros acima do atual.

Sobre a base da sua reconstrução das temperaturas de superfície naquele momento, estimaram que a capa de gelo da Groenlândia e outras superfícies de gelo da Antártida contribuíram com 2,2 a 3,4 metros do aumento do nível do mar durante a segunda época de degelo mais recente.

Em um estudo associado, os cientistas da Universidade do Arizona compararam as mesmas previsões dos modelos de aquecimento nos próximos 130 anos com a reconstrução climática apresentada pelos pesquisadores de Boulder, e concluíram que as temperaturas da superfície serão tão elevadas no final do século XXI como foram há 129.000 anos.

Segundo os cientistas, se o passado é o guia do futuro, então, as condições com o potencial suficiente para derreter as capas da Groenlândia e da Antártida ao ponto de elevar o nível do mar em vários metros poderiam se dar ao final do século XXI.

Fonte: Agências Iblnews

Matemática para poetas

Sabe qual é o problema mais fácil de enunciar e mais difícil de resolver de toda a matemática? É o chamado problema das quatro cores, exposto em 1852. Surgiu tratando-se de colorir as diferentes regiões de um mapa da Inglaterra, e enuncia-se assim:

Pode-se colorir cada zona em que aparece dividido um mapa com uma de quatro (ou menos) cores, de tal forma que não existam duas zonas com fronteira comum que tenham a mesma cor?

A resposta positiva é uma demonstração tediosa que requer milhares de horas utilizando um computador rápido. Existe alguma demonstração mais simples? Ainda ninguém sabe. Tentaram diferentes tipos de demonstrações, por exemplo, a demonstração por redução ao absurdo – supor que o teorema é falso e chegar a uma contradição. Mas este teorema não sucumbe tão facilmente.

Em 1950, Heinrich Heesch afirmou que o teorema poderia ser demonstrado, achando um conjunto inevitável de configurações reduzíveis (que, por sua vez, podem se reduzir a triângulos, quadrados, pentágonos, em que é positiva a demonstração do teorema). Heesch e seu discípulo Karl Dürre criaram um programa de computador para realizar a prova de redutibilidade. Mas não foi infalível. Se uma configuração superava a prova era reduzível; mas se a prova dava negativo, ficava sem determinar se era reduzível ou não.

A demonstração veio da mão de Appel e Haken e um programa de computador que comprovava todas as configurações de um conjunto inevitável. Foi em 1976, como coroa de um esforço de 10 anos e muitos colaboradores.

Se a demonstração tivesse que ser escrita seria tão longa que ninguém viveria tempo suficiente para lê-la e, portanto, poder assegurar que nela não há nenhuma falha.

Então, por que os matemáticos estão convencidos de que a demonstração é correta? Porque a estratégia é correta, os detalhes não se contradizem entre si, ninguém encontrou um erro grave, e além do mais, como disse Haken:

“O fato de o computador poder em umas poucas horas tratar de mais detalhes que um ser humano poderia trabalhar em toda a sua vida, não muda o conceito básico de demonstração”.

Desse modo, embora as demonstrações nos estudos filosóficos através dos séculos sobre como ser feliz não sejam conclusivas, continuamos convencidos que uma vida ética é o caminho para uma vida feliz.

Sara Ortiz Rous

O Nilo agora mede 106 quilômetros a mais

O Nilo agora mede a bagatela de 6.756 quilômetros, a distância exata que separa o bosque de Nyungwe, no norte de Ruanda, do mar Mediterrâneo. É o que asseguram um britânico e dois neozelandeses que o percorreram na sua totalidade em duas lanchas pneumáticas do tipo Zodiac, empregando no percurso um pouco mais de seis meses e superando todo tipo de dificuldades, inclusive ataques dos rebeldes ugandenses. À base de remontar o leito e armados de infinita paciência e resistência, chegaram, por fim, a um ponto no bosque tropical de Nyungwe onde a água deixava de correr. O britânico Neil McGrigor assegura ter demonstrado o erro de John Hanning Speke que, no século XIX, foi o primeiro que estabeleceu o curso do Nilo a partir do lago Victoria. Agora apenas resta esperar que a Real Sociedade Geográfica do Reino Unido verifique o dado.

Juan Adrada

Autêntico conhecimento

Conta-se que, num país distante, os discípulos de uma ordem mística eram submetidos a provas muito duras. Um dia, um mestre reuniu vários deles e lhes disse: – Ontem, alguns aspirantes a mestre foram submetidos a uma prova. Quero que vós me deis vossa opinião sobre quem foi o vencedor da prova, e assim poderei conhecer vossa capacidade de compreensão. Acompanhem-me e explicarei os detalhes.

Caminharam juntos um trecho até que chegaram a um lugar onde havia alguns poços.

O mestre continuou falando:

– A prova era muito simples. Os candidatos foram fechados em cada um desses cinco poços repletos de serpentes venenosas, com o objetivo de que passassem a noite lá.

Aproximemo-nos e vejamos o resultado.

Desse modo, quando se aproximaram do primeiro poço, observaram que apenas estavam as serpentes. No segundo poço, viram o candidato morto rodeado pelas serpentes. No terceiro poço, observaram o candidato tranqüilamente sentado no meio de todas as serpentes mortas. No poço seguinte contemplaram como o quarto homem dormia ao lado de uma pequena fogueira sem que houvesse nenhuma serpente ao seu redor.

Por último, no quinto poço, viram como o candidato se encontrava em postura de meditação e com o rosto cheio de serenidade, enquanto as serpentes percorriam placidamente seu corpo.

-Bem – disse o mestre -, quero que agora me digáis quem é o candidato que triunfou na prova, argumentando vossas conclusões.

Após uma pequena deliberação, na qual constataram que todos estavam de acordo, um porta-voz se dirigiu ao mestre:

– Acreditamos que o vencedor é o homem que está meditando no quinto poço. No primeiro, parece evidente que o homem fugiu. O segundo morreu envenenado pelas serpentes. O terceiro fez um ato de valor matando-as, mas apenas se livrou do problema. O quarto candidato deu mostras de inteligência ao utilizar o fogo para que as serpentes fugissem. Entretanto, o último homem conseguiu tal controle sobre si mesmo, e alcançou tal grau de paz interior que até esses perigosos animais demonstraram mansidão diante dele.

– Vossas conclusões são produto das aparências e não da realidade, muito mais simples –disse o mestre. E tudo porque o ponto de partida é falso: a verdade é que as serpentes não são venenosas. Certamente, o primeiro candidato fugiu acreditando no perigo, o segundo morreu presa do seu próprio medo de morrer, o terceiro matou os pobres animais inofensivos, o quinto realizou um esforço de concentração e controle desnecessários numa situação que não o requeria. Apenas o quarto candidato tinha um conhecimento real: ele sabia que aqueles animais não eram perigosos, por isso, deitou-se tranqüilamente e dormiu, embora antes tenha preferido acender uma fogueira para se esquentar e tirar do poço as serpentes para estar mais cômodo.

Os sábios do amanhã

Glosopeda: o que corrige textos literários.

(sem comentários, por respeito ao nosso próprio Editorial)

Era “súbito” da Coroa da Espanha.

(Ora, deu-lhe um impulso monárquico)

Nas jazidas existem vasos e inclusive cadáveres esqueléticos.

(Sim, já comeram os gordos)

Era Meiji: quando aparecem os partidos políticos, como o PSOE.

(Será que Pablo Iglesias sabia?)

“…e lutavam com unhas e dentes”

(Seriam canibais?)

Invenções com história – O barômetro

Este é um instrumento para medir a pressão atmosférica, ou seja, a força por unidade de superfície, exercida pelo peso da atmosfera.

O peso do ar exerce sobre a terra uma pressão que é chamada de “pressão atmosférica”.

Este fenômeno foi descoberto pelo italiano Evangelista Torricelli.

Inventou um tubo chamado “Tubo de Torricelli” ou Barômetro (do grego “baros“: peso de, e “metron“: medida), que servia para medir a pressão atmosférica.

Torricelli nasceu em Faenza, em 15 de outubro de 1608. Aos dezenove anos, em 1627, iniciou seus estudos na Universidade de Roma, na qual, anos mais tarde, desempenhou o cargo de professor. Suas obras mais importantes são: “Tratado do Movimento” e “Obras Geométricas”.

Torricelli se mudou para Florença para poder trabalhar mais em contato com Galileu, que faleceu pouco tempo depois. Torricelli se converteu, então, no Matemático do Gran Duque de Toscana, e se dedicou com afã ao estudo dos fenômenos científicos.

Faleceu aos trinta e nove anos de idade, em 25 de outubro de 1647.

O Tubo de Torricelli consiste num tubo de mercúrio de 76 centímetros de altura que se equilibra com a pressão atmosférica. De acordo com seus estudos, o ar faz pressão sobre cada centímetro quadrado com um peso de 1.033 gramas, ou seja, 1,033 g/cm (isso surge do conhecimento do peso de um centímetro cúbico de mercúrio: 13,59 g/cm3, que foi multiplicado por 76 cm de altura do mercúrio no tubo, com o que se obtém que 13,59g/cm3 X 76 cm. = 1.033 g/cm3).

Dessa fórmula surge a unidade para medir pressões, chamada atmosfera: 1 atmosfera = 1.033 gramas.

Francisco Capacete

Frases

Não deve falar quem não sabe calar.

Pitágoras

Apaziguador é aquele que dá de comer a um crocodilo com a esperança de que não lhe apeteça sua mão.

W. Churchill

Aquele que dá deve esquecer logo, mas aquele que recebe nunca.

Sêneca

Como a águia, as inteligências superiores pairam solitárias nas alturas.

Arthur Schopenhauer

As grandes almas são como as nuvens, reúnem-se para compartilhar.

Kalidasa

Não necessita de alucinógenos aquele que tem o dom de sonhar desperto.

Anaïs Nin

Todos nós somos muito ignorantes. O que ocorre é que nem todos nós ignoramos as mesmas coisas.

Albert Einstein

Respeitemos a dor sem palavras e o direito sem defesa.

Virgílio

Bem-aventurados os que não têm nada que dizer e resistem à tentação de dizê-lo.

James R. Lowell

Procuremos mais ser pais de nosso porvir, que filhos do nosso passado.

Miguel de Unamuno

Migrações humanas

Após analisar rapidamente o estado atual do mundo, podemos cair na tentação de pensar que não existe nenhuma solução possível. Evidentemente, não é fácil, nem rápido, mudar o estado em que se encontra a humanidade, mas a última coisa que devemos perder é a esperança.

Tudo no Universo se move, transforma-se e muda. Desde as galáxias até os microscópicos glóbulos vermelhos do nosso sangue. A humanidade não foi uma exceção.

Na mais remota antigüidade, os deslocamentos humanos foram uma constante ao longo do planeta. Catástrofes naturais que provocaram fome ou enfermidades empurraram os sobreviventes em busca de outras terras. As religiões em expansão organizaram peregrinações, e nos nossos livros de história se encadeiam conquistas e colonizações. Milhões de refugiados tiveram que buscar asilo por causa das guerras. As convulsões políticas forçaram milhares de pessoas ao exílio. Todo tipo de melhorias econômicas, em qualquer época e lugar do mundo, atraíram poderosamente empresários, trabalhadores e oportunistas. Em suma, seria difícil encontrar algum acontecimento memorável na história da humanidade no qual não aparecesse uma migração.

No entanto, o desconhecimento da história, ou talvez o medo das mudanças sociais, fazem do fenômeno da migração uma das principais preocupações dos habitantes do “Primeiro Mundo”. Os imigrantes recebem a culpa das longas listas de espera nos hospitais, da falta de vagas escolares, do desemprego, da delinqüência…

Evidentemente, todos os problemas se agravam quando há mais pessoas para atender. Tampouco podemos fechar os olhos ao fato de que nas grandes migrações se deslocam todo tipo de pessoas (e com todo tipo de intenções, desde aquele que apenas busca subsistir até aquele que vê a ocasião de se enriquecer à custa do sofrimento de outras pessoas).

A superpopulação é uma das causas das migrações humanas. A ONU estima que pelo ano de 2050 seremos entre 7.700 e 11.200 milhões de humanos no planeta. Thomas Malthus, economista e demógrafo britânico, publicou em 1798 um tratado em que explicava como a superpopulação poderia provocar uma catástrofe coletiva. Embora até hoje as coisas não tenham sucedido exatamente como ele previu, suas palavras pesam sobre alguns planos para o futuro quanto à erradicação da pobreza.

“Que aprendam a cultivar!” Esta exclamação – bastante freqüente – costuma brotar dos lábios de pessoas pouco informadas, ou totalmente irreflexivas, que ignoram uma triste realidade: são tantas as guerras civis que assolam a África equatorial que, quando não são as hordas de refugiados famintos os que devoram as plantações, são os soldados igualmente famélicos de um ou outro grupo que o fazem. É certo que a ajuda exterior é abundante, mas o resultado é como um band-aid que tenta cobrir um corte longo e profundo. O problema real são os maus governos que fomentam e aproveitam o ódio entre as pessoas. Se em algum momento a situação política se normalizasse, a África se auto-alimentaria sem problemas. Os conflitos na África central desencadearam a fuga em massa aos campos de refugiados. As cifras aumentaram de 2 milhões de pessoas, em meados dos anos 60, a 15 milhões, no final dos anos 90.

Mas, até que ponto os habitantes do “Primeiro Mundo” têm a culpa sobre o que ocorre no resto do mundo?

A maioria dos atuais países da Ásia e da África foram colônias européias durante séculos. Espoliaram estas terras de seus recursos naturais e humanos, deixando seus habitantes em condições sócio-econômicas piores do que já estavam, pois semearam uma série de ódios, dos quais atualmente somos testemunhas. Quando as pequenas povoações tomaram consciência de que a relação com a Europa não era tão benéfica, iniciou-se um esforço para se desligar da sua tutela, e isso só foi possível ao final da Segunda Guerra Mundial, momento em que a debilitada Europa não pôde reter por mais tempo suas colônias.

A América Latina também é rica em recursos naturais, que igualmente foram aproveitados por outros países. Colonizada pelos europeus, proporcionou ao Velho Continente todo tipo de riquezas, desde ouro até as plantações, que salvaram muitas famílias européias da fome.

Quando, após anos de colonização, os colonizados se apoderaram do controle das terras, a situação da gente humilde não melhorou. Se a isso somamos o crescimento demográfico descontrolado,  temos como resultado que a pobreza tomou conta de grandes setores da população.

O estado em que ficou a Europa após a Segunda Guerra Mundial, e as dívidas contraídas para sua recuperação, teria sido uma boa ocasião para que a América Latina comprasse as empresas que os países europeus possuíam, no entanto, a América do Norte se adiantou. E, habilmente, foi controlando o mercado e os investimentos até o ponto de que tudo passava sob o seu controle, pois, na realidade era o único comprador, dada a situação européia. Esta dependência abrangeu o campo da tecnologia e a indústria.

Existiram décadas nas quais o esbanjamento por parte dos governos dava a entender que a prosperidade havia chegado, e para esse novo Eldorado marcharam muitos europeus.

Contudo, isso não era mais que uma miragem, fruto de um endividamento maior com os Estados Unidos por parte dos governantes “marionetes” de plantão.

Não devemos esquecer as guerras, guerrilhas e revoluções que semearam a desordem nos anos oitenta e noventa do século passado. E, por último, os desastres naturais: furacões, terremotos, secas e cheias. Todos estes acontecimentos fizeram emigrar milhões de pessoas em busca de um pouco de paz e de prosperidade.

O deslocamento às nações industrializadas – com uma população ativa cada vez mais envelhecida – tem como protagonista aquelas pessoas dos países com menos recursos que conseguiram reunir algum dinheiro, pois as pessoas mais pobres do planeta, embora também sejam impulsionadas pela necessidade, não se deslocam.

Por outra parte, nos países do “primeiro mundo”, os jovens educados em uma época de dinheiro fácil rechaçam uma série de empregos por considerá-los muito “pesados”.

Acreditam que sua situação de bem-estar será eterna, motivo por que, em muitos casos, tampouco se preocupam em adquirir conhecimentos técnicos e estudos superiores. Desta maneira, os imigrantes encontram ocupação nas tarefas que ninguém quer fazer. Isso é uma chamada para outros compatriotas que vão em busca de uma esperança.

Mas, quando se apresentam as oportunidades, também aparecem os oportunistas, que agora tomam a forma de máfias da imigração. O nome com o qual são conhecidos, coloquialmente, varia em cada país (polleros, coiotes, cabeças de serpente…), mas sua forma de “trabalho” varia pouco. “Tramitam” a viagem para seus “clientes”. Mas chegar com vida é somente o primeiro passo, pois os que conseguem se encontram em uma situação que nada tem a ver com o que lhes haviam explicado. Com muita sorte podem cobrar salários miseráveis por trabalhos esgotantes, alojar-se em más condições e enfrentar-se com anos de ilegalidade. Ainda assim, certamente vale a pena para eles, porque fogem da fome, da pobreza e em muitas ocasiões da violência.

Também as máfias encontraram solução para quem não pode pagar de forma adiantada a “viagem”. Seduzem-nos com um futuro melhor, que são levados à escravidão por endividamento. Talvez para nós a imagem de um escravo coincida com algodoeiros negros acorrentados, no entanto, continuam existindo os trabalhos forçados na África, meninas prostituídas na Ásia, escravos brasileiros que devastam a Amazônia… Há muitos desesperados no mundo que não têm mais solução do que vender suas vidas ou as de seus filhos para poder subsistir.

Esta prática está se estendendo para a grande parte dos setores trabalhistas: confecção de roupa, serviço doméstico, alimentos embalados, etc. Estas pessoas sofrem violência, vivem ameaçadas e temerosas pela deportação. Seu isolamento lhes torna completamente indefesos.

Cada vez o controle da imigração ilegal é mais intenso, cada vez o preço dos “trâmites da viagem” aumenta. Assim, as possibilidades de que a cada dia existam mais escravos por endividamento são maiores.

Chegando neste ponto, após analisar rapidamente o estado atual do mundo, podemos cair na tentação de pensar que não existe nenhuma solução possível, que apenas um cataclismo poderia varrer toda a contaminação física e psicológica que criamos e na qual nos submergimos. Evidentemente não é fácil, nem rápido, mudar o estado em que se encontra a humanidade, mas a última coisa que devemos perder é a esperança.

A chamada “consciência solidária” vai despertando em muitas pessoas e em todos os lugares do mundo. As ONGs e muitas fundações tratam de apaziguar as carências daqueles seres humanos mais necessitados. Estes organismos se encarregam de construir orfanatos, escolas, habitações…; ensinam-lhes a criar postos de trabalho, oferecem roupas e alimentos… Geralmente, aí residem membros e diretores da organização que supervisionam e controlam a chegada dos auxílios. Realmente, é admirável a quantidade de contribuições tanto econômicas como humanas que se destinam a estes fins.

Ainda assim, é muito difícil encontrar soluções realmente eficazes e que eliminem os problemas da raiz. Para isso, deveríamos mudar boa parte da política mundial, que busca o poder e a quem não  interessa a evolução do ser humano. Teríamos que arrancar o homem das garras do materialismo que obriga muitos seres humanos a viver penosamente para que uns poucos vivam comodamente; erradicar todo fanatismo e racismo que leva os homens aos conflitos armados, e outros muitos fatores que levam o mundo por estas rotas. Tudo isso está longe do nosso alcance.

No entanto, há algo que podemos fazer:

O menor passo que damos dentro de nós mesmos ao Bem, de alguma forma, toda a Humanidade também dá. Nenhum indivíduo está desprovido de responsabilidade histórica, mas tampouco ninguém é dono e senhor da História. Todos a temos que construir pouco a pouco e o melhor início não é o que parte de perecíveis objetos materialistas, mas o que se realiza em outros planos de consciência, menos efêmeros, e que se refletirão inexoravelmente no mundo no seu devido momento. (Jorge A. Livraga)

Mª Dolores Sanahuja

Desde o fundo da História – Hermes de Olímpia

Meu pequeno Dioníisio, meu alegre menino divino, sinto não poder continuar a te dar o cacho de uvas que o nosso criador Praxiteles colocou em minha mão; da mesma forma sinto que tu tampouco podes fazê-lo com tua mãozinha. O tempo, ou os bárbaros, ou as pedras caídas de uma construção, nos arrancaram os braços. Não tenho uvas para oferecer-te…

Todos os que me contemplam ficam extasiados com minha beleza. Dizem que sou uma obra mestra do nosso criador: a delicada doçura do meu rosto, as formas perfeitas do meu corpo. E, presos a isto, não vão mais além.  Contudo sou muito mais.

Sou um deus. Sou o mensageiro entre eles, o segredo, o silêncio. A sabedoria oculta, o captador das ciências. O que sabe, mas ao qual deve aproximar-se humildemente, com o desejo de aprender, e então, se souberes perguntarperguntar, , encontrareis as respostas.

Os meus seguidores são chamados de herméticos. Os que calam. Os que guardam o segredo do conhecimento. Os que sabem fechar as portas que nem todos podem atravessar.

A eles, lhes ofereço as chaves. As chlaves. Como a ti, pequeno DionisoDionísio, deus da alegria, te ofereço o fruto da videira. Como o início de um brinde pela vida. Hermes e DionisoDionísio sempre se deram bem. A sabedoria e a alegria. A felicidade de conhecer e a felicidade de existir. A alegria de buscar o conhecimento e de desfrutá-lo. Buscar as raízes do saber e do viver.

Apóias uma mãozinha em meu ombro, e esticas a outra na direção do cacho de uva: sinto que o perdi em algum ponto do tempo passado. Mas não te preocupes; permaneceremos juntos muito, muito tempo, e te ensinarei a buscar a sabedoria, e tu me ensinarás a rir.

Hermes e DionisoDionísio. Não existe melhor simbiose.

Mª Ángeles Fernández

10 razões para visitar: Antequera

1. Ruas e praças.

Cruzamento de caminhos desde a mais remota antiguidade, esta bela e ensolarada cidade malaguenha é um dos rincões mais belos da Andaluzia, onde a primavera convida a caminhar pelas suas ruas e praças, emolduradas por casas pintadas de branco. Ao entardecer, seus afáveis moradores sentam à porta para conversar, como antigamente.

2. Intramuros.

Entre o Postigo da Estrela e Alazaba, imponente castelo de origem árabe, e circundando a praça de Santa Maria, encontra-se um dos conjuntos monumentais mais destacados, como o Arco dos Gigantes, as termas romanas e a Real Colegiata de Santa Maria a Maior, com sua monumental fachada renascentista.

3. Igrejas e conventos.

Junto a Colegiata de Santa Maria, os maiores expoentes do Renascimento antequerano são a igreja de São Sebastião e a de São João. De estilo Barroco destaca-se a igreja de El Carmen e a de São Jose onde se encontra o Museu do Conventoual das Descalças. Sobre a igreja Colegial de São Sebastião eleva-se o Giraldillo, símbolo da cidade.

4. O Portichuelo.

Um cantinho encantador, com verdadeiro sabor andaluz. Junto à igreja de Santa Maria de Jesus se encontra uma pequena construção de tijolos, de maquete original e complexa, que serve de capela tributona à Virgem do Socorro. Partindo dali pode-se iniciar um longo passeio até a Porta de Málaga e ao Mirante Menina de Antequera.

5. Casas e palácios.

Antequera alcança sua época de maior esplendor a partir da conquista cristã de 1410. Palácios e casas nobres e antigas ornamentam a cidade, transformada em centro comercial.

São interessantes, a Casa do Marques da Peña, a da Marquesa das Escalonias, a dos Colarte, a do Barão de Sabasona e a do Marques de Villadarias.

6. Os romanos

Este termino municipal foi um dos núcleos mais romanizados da Betica, com três cidades importantes, como Singilia Barba, e inúmeras vilas, autênticos centros de controle e transformação de produtos agrícolas, e ao mesmo tempo com luxuosas casas dos senhores .senhores.

Nas escavações na Vila da Estação foram encontradas valiosas estátuas.

7. O Efebo

O palácio de Nájera, situado no Coso Velho, junto ao convento de Santa Catalina de Siena, foi transformado em museu Municipal a partir da descoberta em 1955 do extraordinário e belo Efebo da Vila das Fontes, uma magnífica estátua romana de bronze que se converteu em embaixadora da cidade pelo mundo afora.

8. Gruta de Menga

Única no mundo, este gigantesco monumento megalítico, com mais de 4500 anos de antiguidade, foi construído com pedras de até duzentas toneladas. O recente descobrimento em seu interior de um profundo poço escavado na rocha determinou seu caráter de recinto cerimonial e não de tumba, como se acreditava até a data da descoberta.

9. Viera e Romeral

Completam um dos conjuntos megalíticos mais importante que existe. O dóolmen de Viera é um sepulcro de galerias cobertas, com um corredor e uma câmara construída com grandes pedras. O do Romeral, mais moderno, é uma tumba do tipo “tholos”, com um corredor e dois recintos em falsa abóbada, por aproximação de fileiras.

10. O Torcal

Ente seus inumeráveis atrativos naturais, surpreende a paisagem onírica do Torcal, modelado em milhões de formatos diferentes sobre uma imensa base de rocha calcária.

Seguindo as rotas assinaladas, pode-se percorrer esta vasta extensão, única na Europa, imaginando todo tipo de fantásticas figuras cinzeladas na pedra.

Juan Adrada

Língua nativa canária

Também se concluiu que todas as ilhas compartilhavam um tronco cultural comum e que com o passar do tempo este chegou a adquirir em cada uma delas uma nuance diferente.

Para compreender o estudo da antiga língua nativa numa terra como Canárias, cercada por mitos e lendas, deveríamos começar prestando atenção em algumas idéias básicas que nos permitem entender porque contém tantas incógnitas.

As Ilhas estão envoltas num mar de hipóteses, que vão desde as geológicas, relacionadas com a mítica Atlântida, ou explicações menos platônicas como a que nos narra sua origem e que pertencia aos “montes adjacentes da África”, segundo nos relatava o historiador e escritor canário José de Viera e Clavijo (séc. XVIII), até as etnográficas que tentam aparentá-las com o povo berbere do Norte de Marrocos.

Também não devemos esquecer a pouca importância que se deu a cultura nativa no período da Conquista das Ilhas durante os primeiros séculos (séc. XV – XVI), para entender o porquê da limitada informação que chegou até nós, da antiga língua nativa. Portanto, se tentarmos buscar a origem da língua nativa canária, nos deparamos com o inconveniente da variedade de hipóteses que existem atualmente sobre o tema. Citando o prolífico escritor canário Francisco Osório Azevedo, em seu Gran Diccionario Guanche: “Sobre os parentescos e uniformização da língua guanche, tanto se escreveu que é realmente espantoso. Tudo o que se passou ou se ouviu falar de nossas amadas ilhas, nós temos encontrado parecido, particularmente consigo mesmo ou com seus próprios interesses. É estranho que um basco diga que “quase” somos bascos, um celta que “quase” somos celtas, um sueco e um norueguês que são a última tribo nórdica, um cônsul norte-africano que os berbere são mais puros?puros? ”.

Sendo assim, a última hipótese citada (origem berbere) é a mais aceita atualmente, após o descobrimento de um grande número de semelhanças entre as duas línguas, além de alguns restos arqueológicos. Também nos encontramos como que embaralhados em outras línguas como a libíca, semítica e canuítica, aparentadas com a língua hebraica, egípcia, etc.

No entanto, poder-se-ia pensar que sob esta observação de unir sobre um mesmo tronco as duas línguas que mantêm certa percentagem de semelhança entre si, poderia nos levar a seguinte conclusão: se “ene” em língua nativa canária significa cão, “inu” tem significado idêntico em japonês e “anu” em aimará, a antiga língua canária também poderia proceder de qualquer uma destas.

Também apareceram outras vias de investigação não menos valiosas, como a que relaciona os canários com uma cultura hoje esquecida que habitou toda a cornija do Oeste Atlântico.

Esta cultura é chamada “pré-indoeuropéia”; e um bom exemplo desta são os grandes monumentos megalíticos existentes nas Ilhas Britânicas e na França, bem anteriores a dos Celtas, a quem em muitas ocasiões, erroneamente, se crê que foram os construtores dos mesmos.

Isto nos induz a pensar que talvez o povo canário erafosse muito antigo, inclusive muito mais do que comumente se crê. Assim, como se seus habitantes tivessem perdido toda memória de sua origem, tampouco tinham noção do que era um barco ou algo similar.

Como então chegaram vindos das costas africanas?

Assim mesmo, concluiu-se que todas as ilhas compartilhavam um tronco cultural comum e que com o passar do tempo este chegou a adquirir em cada uma delas uma nuance diferente.

O que ainda não ficou claro é qual é essa origem cultural, e não se descarta a teoria de que esta possa ser compartilhada com outras culturas anteriores ao ano zero de nossa era, pois foram encontrados restos arqueológicos, na Ilha de Grande Canária, com data do séc. V a.C., época em que os fenícios e posteriormente os gregos conheceram através dos antigos habitantes do arquipélago.

Até certo tempo não se reconhece oficialmente que conheciam a escrita, embora tímidos restos desta ficaramficassem registrados pela arqueologia e a epigrafia espalhados pelo arquipélago, repousando como mudos testemunhos de um passado misterioso que vale a pena desvendar.

Após a conquista das ilhas, foi proibido proibiu-se-se o uso da língua nativa, até que aos poucos foi se extinguindo, sobrevivendo alguns termos. Contudo, grande percentagem dos topônimos usados atualmente provêm da antiga língua nativa, tais como os nomes das ilhas de Tenerife e Gomera. Também mantêm nomes próprios dos nativos em todas as Ilhas, como: Ankor, Bentejuí, Ayose, Guasimara, Ateneri, Doramas, Abenamara, Tanausú, Yurena, etc.,.. muitos deles relacionados com míticos reis, sacerdotes ou guerreiros. Estes nomes ainda são utilizados por gerações de canários.

Jorge Marqués

Contribuições científicas do mundo antigo

Assim como não se lembrar de algo ou não conhecê-lo não significa que não exista, e que de determinadas civilizações ou épocas ainda não se tenha encontrado restos tecnológicos não significa que não tiveram ciência,ciência, sendo que quanto mais retornarmos no tempo, maior é a dificuldade para encontrarmos vestígios.

Este pequeno artigo pretende dar um esboço ”histórico” de alguns conhecimentos da antiguidade. Mas se nos atiervermos na definição da palavra história, que seria o registro dos fatos passados, comprovamos que esta simples e precisa explicação nos condiciona em nossa tarefa de recopiar o que resta de um registro, alguns vestígios, para poder estabelecer se em determinado momento e lugar existiu uma ciência ou não.

Assim como não se lembrar de algo ou não conhecê-lo não significa que não exista, e apesar deque de determinadas civilizações ou épocas ainda não se tenha encontrado restos tecnológicos não significa que não tiveram ciência, sendo que quanto mais retornarmos no tempo, maior é a dificuldade para encontrarmos vestígios. Se considerarmos que o homem tem uma antiguidade de sete milhões de anos, tal como confirmam os antropólogos atuais, estamos frente um empreendimento dificilíssimo. Se quisermos delimitar um pouco mais o campo e falarmos do que seria o Homo sapiens, estaríamos falando de 200.000 anos de história, dos quais a história conhecida abrangeria, sendo generosos, uns 10.000 anos. Vale dizer, que não sabemos o quê o homem esteve fazendo durante pelo menos 190.000 anos. E tudo o que vemos em nosso mundo é fruto fundamentalmente de avanços científicos ocorridos nos últimos 150 anos. Assim não podemos descartar a possibilidade do desenvolvimento cientifico em civilizações do passado. Tempo para isso teve de sobra.

Portanto devemos ser cautelosos ao falarmos do que outras civilizações da antiguidade puderam conhecer a respeito da ciência, sem deixar de mencionar que existem alguns indícios em distintas civilizações e épocas, que permitem entrever que talvez tenha existido ciência desenvolvida da forma como nós a entendemos. Se olharmos, por exemplo, as pirâmides de Gisézeh, temos que supor que existiu tecnologia no Egito para poder construí-las.

Se formos à Índia, vamos ver que existem várias referências aos vimanas, dentro dos Vedas, os Puranas, o Mahabharata, inclusive há um tratado de máquinas militares que foi escrito no século XI, o Samarangana Suthradhara, onde se descrevem estes aviões voadores, feitos de metal, que usavam combustível a base de mercúrio. Ou seja, idéias que podem ser como as de Leonardo, antecipação do que seriam novos descobrimentos, ou que também podem estar falando de descobrimentos feitos na antiguidade.

Umas das coisas que temos compreendido no último século é que a história é cíclica, ou seja, não se trata de uma história linear como se poderia pensar no século XVIII e XIX com explicações, uma história de progresso continuo, mas sim que as civilizações aparecem, nascem, crescem e morrem, e descobrimentos próprios de uma época se esquecem com a queda dessas civilizações até que outra civilização volta a redescobri-los.

A palavra ciência é de origem latina, scientia, e significa saber, conhecimento, de forma similar à palavra grega sophos, cuja tradução é sabedoria, conhecimentos. Gregos e romanos tiveram mentalidades distintas. Os gregos tinham uma mentalidade mais abstrata, mais racional, dai que sophos, a sabedoria, se entende como um conhecimento amplo e um tanto de elucubração mental, enquanto que scientia, a ciência, adquire um aspecto empírico, material, próprio dos romanos que entre outras coisas se destacaram como construtores de obras públicas e tinham uma visão mais pragmática da vida.

Se analisarmos os fatos conhecidos da ciência na antiguidade, poderemos destacar alguns feitos que sobressaem nas distintas civilizações.

Assim por exemplo o Egito nos surpreende com seu grau de avanço na medicina, que posteriormente influenciou na tradição médica grega e romana, e que está recopiada em textos como o papiro de Ebers, o papiro de Kahum, o papiro de Berlin e o papiro de Smith. Os egípcios tinham Casas da Vida onde os médicos estudavam diversas especialidades; havia oftalmologistas, dentistas, traumatologistas, cirurgiões. Seus métodos de observação e diagnósticos eram refinados e tinham técnicas médicas bem desenvolvidas; faziam trepanação e operações de cirurgias importantes. Conheciam as causas e sintomatologia de muitas enfermidades, entre elas as do trato digestivo e ginecológico; tinham medicamentos anticonceptivos, laxantes, e um enorme leque de farmacopéia vegetal e mineral, e alguns dos remédios ainda são usados. Temos que lembrar que Hipóocrates, o chamado o pai da Medicina no Ocidente, estudou no Egito, onde adquiriu parte de seu saber.

A civilização que se desenvolveu na Mesopotâmia teve como característica mais destacada a observação do céu e os registros astronômicos detalhados. Foi um conjunto de povos muito metódicos, especialistas em classificar tudo. Isto ficou registrado nas tabuletas da escrita cuneiforme que foram encontradas. Não ficaram dicionários do acádico ao sumério, do sumério ao eblaíta, com listas de palavras e suas definições, mas ficaram listados os problemas matemáticos que se faziam nos colégios, tábuas de multiplicar, etc.. Suméerios e babilônicos foram bons astrônomos e confeccionaram um registro de planetas e estrelas, de suas diferentes posições e seus movimentos durante milênios, acompanhados desde o alto das torres de observação. Trata-se de uma astronomia de posição, tratada aritmeticamente, de tal maneira que eram capazes de estabelecer quando iam ocorrer os eclipses solares e lunares, e onde estariam situados os planetas em cada momento. Posteriormente vieram a se chamar de ”caldeos” aos astrólogos da Idade Média, consultados por Papas e Reis, memória dessa sabedoria da civilização mesopotâmica.

Além do mais, toda a civilização mesopotâmica acumulou grandes conhecimentos matemáticos. Numeravam as matemáticas em base sexagesimal, ou seja, na base 60.

ENos estamos acostumadosmos a utilizar um sistema decimal, e o sistema sexagesimal pode-nos parecer estranho, embora tenha permanecido até hoje. Nossa medida de tempo, os minutos, os segundos e os graus dos ângulos, são herançasão heranças deles.

Os hindus também foram grandes matemáticos, capazes de medir cifras que inclusive para nós são enormes. Em suas cronologias nos falam de milhões de anos, e para poder trabalhar com semelhantes quantidades tinham um sistema de numeração decimal posicional, baseado na utilização de 9nove cifras e na existência do zero, sistema que nós utilizamos e conhecemos por herança dos árabes. Os romanos quando escreviam um dez escreviam um X, para o onze acrescentavam um palito, para doze acrescentava mais um, e assim sucessivamente iam agregando cifras, o que implicava em números enormes, Por exemplo, 683 era DCLXXXIII. Se tivéssemos que multiplicar 1327 por 1743, em números romanos o resultado seria excessivamente longo, o que fazia do cálculo uma árdua tarefa. Contm tudo, os hindus utilizavam uma numeração posicional, onde o número 2 é um dois, mas ao acrescentarmos outra cifra do lado direito, por exemplo, um zero, se converte em vinte, esse mesmo dois pode ser duzentos, ou seja, cada número tem um valor em si e tem um valor referente à posição que ocupa.

Se nos referirmos aos chineses, vemos que foi uma civilização tecnológica. Tiveram muitos conhecimentos, mas não se preocuparam em explicar as leis que regiam esses descobrimentos, simplesmente as aplicavam. Não formularam nenhuma lei física. Dos chineses nós herdamos à imprensa de tipos móveis, o papel, a pólvora, a bússola, os relógios, a tecnologia do ferro e do aço, o leme ou a corrente de transmissão.

Também tinham amplos conhecimentos de astronomia e matemáticas; descobriram as manchas solares e o valor de p. Foi uma civilização de cujos inventos o Ocidente muito se beneficiou.

Isabel Pérez Arellano

Ciyrano de Bergerac

De forma nenhuma se pode duvidar da existência deste singular personagem, admirado por todos os que leram Rostand, ainda que tenhamos que reconhecer que o escritor tomou inúmeras licenças para dar o tom do seu escrito.

O verdadeiro CyranoCirano se chamava Savinien de CyranoCirano, senhor de Bergerac, que chegou a este mundo no ano 1619 e o deixou em 1655. Era parisiense, de fino berço e antiga linhagem, como se diz, e teve certo êxito como escritor, inclusive foi companheiro de colégio do grande dramaturgo Molière. Embora sua fama fosse mais conhecida por suas brigas e algazarras. Baderneiro nato envolveu-se no mínimo em dez duelos, pois dez, são os conhecidos que morreram sob sua espada. Sua lenda afirma que teve no mínimo mil duelos em sua vida, cifras que nos parecem exageradas, mas que são boas para comprovar a valentia que seus contemporâneos lhe outorgavam com a espada. Conta-se que uma noite, por defender um amigo, enfrentou nas ruelas de Paris pelo menos a uma centena de homens que colocou para correr com a sua espada. Este acontecimento, ainda que nos pareça novamente exagerado, conta com numerosos investigadores que afirmam a veracidade do ocorrido.

Seja uma centena ou uma vintena, não duvidamos que não tenha enfrentado sozinho um número superior de oponentes e que saiu vivo do transe. Que proeza!

Sobre seu nariz temos que afirmar que aqui Rostand não pôs nem mais um centímetro dele no seu personagem de ficção. No CyranoCirano real a feiúra do seu nariz se acentuou com as feridas que recebeu nos duelos.

O senhor de Bergarac teve que se retirar da vida de baderneiro depois do cerco de Arras, onde recebeu tamanhas feridas, que o forçaram a dedicar-se a uma vida contemplativa.

Momento este em que se volta para a literatura. Seus escritos obtiveram fama póstuma, e torna-se curioso ver que uma das suas obras mais famosas, intitulada “Viagens àa Lua e ao Sol” (1657), é o embrião do que será a literatura de ciência ficção, séculos depois.

Fermín Castro

Todos queremos mais

Quando começamos a andar pela vida, todos nos sentimos inquietos ante este nosso mundo sem princípios e sem fins, como um trem correndo desgovernado sem saber de qual estação partiu, nem em qual deverá chegar; um trem sem condutores; um trem que não se detém, embora também não se saibae se irá parar sózinhosozinho ou se descarrilará em alguma curva do caminho.

Para além da metáfora, ou melhor, trazendo-o a realidade, nos encontramos dentro deste trem numa louca corrida, aonde vão todos. Se nos exigem mais, então nós também queremos mais.

Para sermos aceitos no trem, temos que ter coisas, muitas coisas, cada vez mais coisas, as coisas que valorizam os que viajam e que equivalem a poder, prestígio, riqueza. Hoje, ao ler velhos contos, acabamos rindo das artimanhas que realizavam os povos da antiguidade e nos divertimos ao comprovar a quantidade de objetos, hoje inúteis, que naquela época tinham um valor incalculável, tanto para fazer felizes a uns e infelizes a outros, para converter alguns em chefes e outros em subordinados. Variando o objeto, a situação continua sendo a mesma. Para poder sobressair tem que possuir cada vez mais coisas.

Portanto, todos querem mais.

Queremos reunir aquilo que nos engrandece frente aos demais, o que nos permite estar àa altura dos que pedem, dos que já tem o que os demais ainda têm que alcançar.

Tudo se torna pouco nesta competição, enquanto o trem segue sua trajetória indefinida. Nada é suficiente, pois assim que alcançamos um objetivo, devemos passar a uma nova etapa que está mais acima. O que parecia ser o ápice de nossas aspirações e o objetivo de nossos esforços se torna nada quando o alcançamos. Então, o que conseguimos perde o brilho uma vez que no trem existem pessoas que têm as mesmas coisas que nós, e muito mais. Assim, o passo seguinte é conquistar ainda mais para nos equipararmos àqueles que nos superam.

Se tivermos uma casa, logo ela se torna pequena, às vezes porque é pequena mesmo, mas na maioria das vezes, porque a enchemos de trastes desnecessários ou porque possui alguns metros quadrados a menos que a do vizinho. Se não podemos comprar uma casa maior, isto é, indubitavelmente, falta de “status”.

Se trabalharmos em algo discreto, seja onde for, e se o dinheiro que ganhamos no início era suficiente para cobrir nossas necessidades, não demora muito para descobrirmos que este dinheiro já não nos serve para nada. Além da margem de inflação que assola todos os países do mundo e que diminui o valor de nossas moedas, há outra realidade física e psicológica: quanto mais temos mais gastamos, e quanto mais gastamos, mais falta nos faz o dinheiro.

A vida nos oferece a oportunidade de encontrar uma pessoa digna de nosso amor.

Pois bem, as virtudes desta pessoa diminuem quando entramos no jogo das comparações e, salvo as exceções lógicas, nada mais em voga que cobiçar a mulher – ou o homem – do próximo… que deixará de ser desejável assim que se tenha obtido e comprovado que se pode obter algo mais notável ainda.

O tempo não nos é suficiente, nos sufoca a falta de tempo, queremos mais tempo. Lutamos desesperadamente para termos umas horas a mais ao dia; um dia livre a mais na semana, ou uma semana a mais nas férias anuais. Conseguido o troféu, chegamos a triste conclusão de que não sabemos como empregar esse tempo livre e o desperdiçamos em vão buscando “distrações” que nos entorpecem e nos faz esquecer que o temos.

Porque ocorre esta sede insaciável, esta corrida desenfreada e sem sentido aparente?

Mesmo que às vezes possa parecer que os humanos agem sem pensar, o certo é que obedecemos a determinadas leis da Natureza, mas por estarmos adormecidos pela ignorância ou desfocados por falta de evolução, respondemos a estas leis de forma instintiva, desvirtuada, mal canalizada.

De verdade, Queremos o que nos convém?

Sabemos que todos os seres vivos seguem uma Lei Natural de desenvolvimento que se manifesta com crescimento, expansão, abertura, elevação e várias outras características de acordo com os casos. Os homens não estão fora desta Lei. Pelo contrário, temos a capacidade de percebê-la, mas quando não a percebemos claramente agimos por impulso, nos desenvolvendo somente onde se encontra nosso campo habitual de ação.

Se descermos do trem em movimento, se pudermos retomar nossa verdadeira velocidade, nosso ritmo, encontraríamos nosso modelo de desenvolvimento. Desejaríamos mais, mas daquilo que nos faz maiores e melhores. Nossos esforços seriam dirigidos para potencializar o que determina nossa condição humana.

Bens materiais? Sim, o necessário para viver com comodidade. Prestígio? Sim, ante nossos próprios olhos e aos de quem amamos e dos que compartilham com nossas idéias fundamentais. Poder? Sim, o de nossa adormecida vontade.

Trata-se de encontrar a medida do que nos corresponde e nos dignifica. Trata-se de ser mais, antes de querer ter mais. Depois de tudo, são muitos os que vêm demonstrando que se pode ter muitas coisas, desperdiçá-las ou perdê-las em um dia.

Mas são poucos os que demonstram possuir a chave do ser interior, o controle de sua existência, de suas emoções, a compreensão para a dor, a força para as adversidades, a sabedoria para distinguir quem somos, donde viemos e para onde vamos.

Todos queremosTodos querem mais. Sim, mas devemos saber o quê é que queremos. Devemos potencializar essa energia maravilhosa que não teme as mãos vazias porque se pode enchê-las com somente nos propormos a fazê-lo.. É interessante descer do trem e andar a pé até que saibamos como ele funciona e como e quem pode conduzi-lo de verdade. Queremos mais. Queremos Saber para Poder.

É fundamental ter algumas idéias, embora claras e firmes, antes de nos enchermos com centenas de elucubrações mentais desconectadas que em nada nos ajudariam em nosso desenvolvimento interior.

E uma das idéias que devemos clarear é a diferença que há entre o que queremos, o que desejamos, e aquilo que possuímos na realidade.

Conhecemos o que já temos?

Um dos males mais freqüentes na juventude – mal que pode chegar a esterilizá-la e paralisá-la – é acreditar que já alcançou seu tão cobiçado despertar da consciência, com a qual detém seu autêntico avanço. Vê as coisas como quer que sejam; e vê a si mesmo como ele próprio gostaria de chegar a ser e considera que este sonho, esta visão errada é a realidade.

Portanto, porque se esforçar mais se já tem aquilo que aspira? A partir disso, se deterá sem se dar conta, anulará suas possibilidades de desenvolvimento espiritual e dedicará aos demais um olhar compassivo de desprezo, isso se não tentar converter-se em mestre de quem ainda não tenha chegado ao topo de seus quiméricos sonhos.

Mas o mal não se deterá aí. Aquele que se habitua a ver o que quer acima do que tem, também se engana com as pessoas com as quais se relaciona e julga erroneamente os acontecimentos da vida, tanto no campo pessoal como no geral. Não compreende a História ou a concebe de forma totalmente distinta da realidade; crê cegamente em todos os prognósticos otimistas ou enganosos desde que pintem as coisas de cor-de-rosa. Não entende as pessoas e veste os que o rodeiam com seus trajes preferidos de fantasia; assim, se enamora da pessoa que considera ideal ou confia sua amizade a quem imagina como o arquétipo da camaradagem; vê mestres em todas as esquinas e iluminados que lhe transmitem sabedoria através duma tela de televisão ou de uma revista de modas. Em seguida, quando chegam as decepções, não reconsidera sua posição, mas, pelo contrário, joga a culpa nos demais, naqueles que estragaram seu sonho ou o desviaram de seu mundo de fantasia para escolher outros caminhos.

Ver as coisas tais como são, ou seja, ver aquilo que temos em nossas mãos, não equivale a esmagar-se nesta realidade objetiva, nem negar toda ação de desprendimento. Ao contrário, não há outra forma de iniciar uma caminhada se não temos um ponto de partida, e indubitavelmente um de chegada, ainda que parcial, para logo continuar. O ponto de partida é o reconhecimento do que temos, do que temos conseguido até agora, do que somos, de como são as coisas e o ambiente no qual nos movemos: ali nos apoiamos, dali extraímos os meios para nos lançarmos para diante e para cima.

Ver as coisas como são é possuir sentido comum, é gozar deste espírito prático tão caro ao verdadeiro filósofo, por mais que logo possa voar nas alturas de seus mais elevados sonhos. Uma coisa é desejar o melhor para o futuro, um futuro que começa amanhã mesmo e outra coisa, é desconhecer como obter algo melhor do que temos.

Como melhorar algo se não sabemos em que estado se encontra? Com promover um avanço se não sabemos desde onde começamos a avançar?

Freqüentemente dizemos que para o filósofo, o futuro já é o presente, enquanto que os que permanecem insensíveis à Verdade, não vêm mais de seus olhos físicos. É verdade.

Mas isto não significa que sonhamos com o futuro “como” se já fosse realidade, desconhecendo ou desprezando o presente. Significa que, quando a consciência se expande, cabe muito do futuro dentro do presente, assim também como cabe muito desse passado que a gente geralmente esquecemos tristemente. Significa que dentro do momento em que vivemos, podemos fazer uma projeção temporal, fruto da experiência, e nos apoiando no passado é possível entrever o futuro.

É necessário ter dupla capacidade de ver as coisas como cada um queira que seja, sem que para isso deixe de vê-las como realmente são. É importante saber o que queremos e também o que temos para conseguir o que queremos.

Delia Steinberg Guzmán

Um Mergulho na História – O Primeiro Quixote

Podeis acreditar que me encontro nas paredes gravadas de uma caverna? Pois assim é. Essa é minha morada, nas margens do Eresma, ao norte do Sistema Central, entre Segóvia e Ávila. Chama-se Caverna de Domingo García. E, certamente, se uma eminente equipe de arqueólogos não me tivesse datado, não acreditarias em minha antiguidade…

Pertenço à Idade do Bronze, quando ainda alguns de seus antepassados viviam em cavernas e adornavam suas paredes. Zona fria, passaram aqui dentro longas horas em torno da fogueira, plasmando seus sonhos e suas realidades.

Sonhou-me um homem há milhares de anos. Já havia domado o cavalo, já lutava com espadas sobre eles, já utilizava uma pequena roda de couro. Sonhou-me já quase um Dom Quixote.

Sonhou-me como arquétipo de uma raça? Imaginou moinhos, guerras de vinho, elmos e bacias? Viu-me como cavaleiro louco, idealista quimérico, defensor dos fracos, amante do Amor?

Fui uma distante encarnação de um tal Miguel de Cervantes?

Talvez, encolhido junto ao fogo, tivesse olhado nos olhos de uma Dulcinéia pré-histórica. Talvez tivesse um amigo fiel para a guerra e para a caça.

Talvez o resto da tribo risse dele e não entendesse porque passava tantas horas imaginando histórias.

Pertenço à Idade do Bronze, disse-lhes. Caminho da História.

Uma História que, na Espanha, produzirá alguém tão parecido comigo, tão emblemático…

Estou orgulhoso de ser o primeiro. Rocinante magro e adaga ao braço. Em uma caverna, onde tudo pode nascer, onde tudo se pode imaginar.

Quixote milenário, Quixote também do terceiro milênio, saúdo-os, Quixotes de toda a terra.

Mª Ángeles Fernández

10 Razões para visitar Israel

1- Jerusalém

A cidade três vezes santa é um dos lugares imprescindíveis de se visitar ao menos uma vez na vida. Aqui as três religiões monoteístas coexistem em um ambiente de tranqüila tensão. Deve-se visitar a Mesquita da Roca, o Muro das Lamentações, a Basílica do Santo Sepulcro, a Catedral Armênia de São Jaime e o Monte das Oliveiras.

2- Cesárea

Principal expoente da presença romana no local, esta soberba cidade foi construída por Herodes, em honra a César Augusto, na margem do Mar Mediterrâneo. Entre suas ruínas encontraremos os restos de um circo e um teatro romano muito bem conservado, assim como antigos edifícios bizantinos e cruzados.

3- Acre

A antiga São João de Acre chama-se atualmente Akko. Antigo porto fenício, converteu-se em cidade-insígnia durante a época das Cruzadas, capital do Reino Latino do Oriente depois de Jerusalém. Pode-se visitar a cidadela subterrânea dos cruzados, a Cripta de São João, a Mesquita de El-Jazzar e os bazares orientais.

4- Galiléia

Junto aos Altos de Golam, tem sido um dos lugares mais castigados pelo contínuo combate de Israel com a Síria e o Líbano. O local tem atrativos turísticos tais como o Lago Tiberíades, o Parque Nacional de Hurshat, as Cascatas de Baniyas, a cidade de Cafarnaún, o castelo cruzado de Kalaat Nimrud e o centro de esqui do Monte Hermom.

5- Vale do Jordão

Iniciando em Beth Sheam, antigo assentamento da época do Rei Saul, onde se encontram as ruínas da antiga Escitópolis, podemos iniciar nosso percurso pela Terra Prometida. A exuberante vegetação e as árvores frutíferas fazem desse lugar um autêntico pomar. Também podemos visitar Jericó, uma das cidades mais antigas do mundo.

6- Mar Morto

A maior depressão do planeta, quase quatrocentos metros abaixo do nível do mar. Suas águas salubres te permitem flutuar mesmo que não saibas nadar. Em suas margens encontraremos balneários, instalações termais e sítios arqueológicos como a cidade Nabatéia de Mamshit ou o monastério de Qumran, onde apareceram os famosos manuscritos essênios.

7- Massada

Podemos subir em um teleférico para visitar Massada, construída a quatrocentos metros acima do Mar Morto para controlar as rotas do Deserto da Judéia. Esta impressionante fortaleza foi o cenário do último episódio da Guerra dos Judeus (66 a 70 d.C.), onde seus habitantes preferiram morrer a render-se aos romanos.

8- Deserto de Negev

Da bíblica Beersheba podemos adentrar no deserto de Negev, de onde é possível realizar excursões a pé por todo o terreno. O local recebe o nome de Midbar, que significa agreste. O Deserto de Midbar é composto, em grande parte, por penhascos rochosos esculpidos pelo vento. Mais ao sul também há grandes extensões de areia.

9- Mar Vermelho

Centro de veraneio e diversão por excelência, tem seu principal núcleo de população na cidade de Elat, a antiga Elyoth, situada estrategicamente no extremo do Golfo Agaba, fronteira com a Arábia Saudita, Egito e Jordânia. Pode-se visitar o observatório submarino e suas colinas marcadas pelo Grande Rift sírio-africano.

10- Kibbutz

São a versão israelita de uma granja coletiva, ideais para conhecer o ambiente rural. Atribuem-se a invenção da irrigação por gotejamento que tem permitido cultivar milhares de hectares de inóspito deserto. Pode-se alojar como turista em alguma de suas hospedagens, trabalhar como voluntário ou inclusive aprender hebraico durante alguns meses.

O Imaterial da Matéria

O Princípio Cosmológico de Einstein afirma que o Universo é muito parecido em todas as suas partes e que conserva as mesmas propriedades em igualdade de circunstâncias. Assim, não são as galáxias que se distanciam de nós especificamente, e sim que, na realidade, se distanciam todas umas das outras.

A Origem da Matéria

As doutrinas científicas sobre a natureza da matéria, que gozavam de validade e reconhecimento até pouco tempo, baseavam-se em três pressupostos iniciais que, como tais, eram indemonstráveis.

A matéria não teve origem;

A matéria não terá final, tampouco, é eterna;

As leis materiais transcorrem independentemente do observador.

Os ditos princípios constituem a hipótese básica sobre a qual se sustentava o método científico.

Dissemos que “se baseavam” dado que, pouco a pouco, estas idéias tiveram de se modular profundamente aos descobrimentos que a Astrofísica, a Física Quântica e outras disciplinas realizaram nas últimas décadas. Com efeito, a matéria não teve origem, é bastante provável que nunca tenha final, e os sucessos ultramicroscópicos que regem os macroscópicos e cotidianos nunca acontecem com independência do observador.

Este artigo pretende realizar uma aproximação destes novos postulados científicos.

Que idade tem a matéria? Em quantos anos podemos cifrar a antiguidade das estrelas e galáxias?

Uma das poucas coisas que sabemos com certeza sobre as estrelas é que elas se movem. Ao fazê-lo, a luz que emitem, e que delas recebemos, modifica-se. É como quando escutamos a sirene de uma ambulância que vem até nós; então nos parece aguda (menor longitude de onda), porém quando passa por nós e se afasta o tom se faz mais e mais grave (maior longitude de onda). Este fenômeno se conhece como o “Efeito Doppler”, e já foi demonstrado válido, não somente para as ondas físicas (como o som), como também para as eletromagnéticas (como a luz visível e outras radiações).

Este efeito, descoberto pelo matemático de mesmo nome em 1842, foi utilizado na Astronomia. Pensou-se que poderia explicar as diferentes cores das estrelas visíveis. Segundo o Efeito Doppler, aquela fonte luminosa que se distanciava da Terra emitiria uma luz que ficaria mais “grave”, por assim dizer, alargaria sua longitude de onda; em termos científicos, seu “espectro aceleraria até o vermelho”, a cor de sua longitude de onda mais cheia de luz visível. Ao contrário, se a estrela se aproximasse, sua luz viraria azul (a luz de longitude de onda mais curta) tal como já terão adivinhado seguindo esse raciocínio.

Ainda que o que se modifique não seja a cor visível das estrelas, mas o seu espectro, tal como se demonstrou, começou-se a catalogar toda fonte luminosa que se observava no céu. Contudo, à medida que aumentava o número de tais observações, comprovou-se que, salvo umas poucas galáxias próximas, como Andrômeda, por exemplo, o resto do Universo conhecido parece fugir de nós. Este feito foi aceito universalmente quando, em 1929, Hubble demonstrou que as mudanças para o vermelho das estrelas aumentam em proporção à distância de nós. Hoje se sabe que esta proporção é de 15 km/s em cada milhão de anos luz de distância (valor da denominada “constante de Hubble”).

O Princípio Cosmológico de Einstein afirma que o Universo é muito parecido em todas as suas partes e que conserva as mesmas propriedades em igualdade de circunstâncias (quer dizer, é homogêneo). Assim, não são as galáxias que se distanciam de nós especificamente, e sim que, na realidade, se distanciam todas umas das outras. Se isso é certo, e tomando o valor da constante de Hubble, poderemos nos remeter ao passado, deduzindo que entre 20 e 40 bilhões de anos atrás toda a matéria do Universo conhecido estava reunida num só ponto de propriedades insólitas. Antes desse momento, pode-se dizer que existia algo similar ao nada (teoria do Big Bang, ou Grande Explosão, tão popularizada hoje em dia).

Este estado de coisas tornou-se extremamente incômodo. A Ciência foge de irregularidades pontuais e a natureza desse momento do passado ultrapassa com acréscimo as explicações e postulados científicos. O próprio Einstein, desde seus inícios, advogou em todo o momento por explicações racionais, mensuráveis e observáveis, fugindo de tudo o que pudesse supor uma evidência da “criação” do Universo.

Em 1964 os laboratórios da Bell Telephone possuíam uma colossal antena de rádio em Crawford Hill, Nova Jersey, com a qual Arnold A. Penzias e Robert W. Wilson tentavam medir as ondas de rádio emitidas por nossa galáxia. Através de várias peripécias, que eliminavam erros de medição (incluindo o desalojamento de pombas, que haviam escolhido tão peculiar lugar para construir seu ninho de amor), registraram uma longitude de onda relativamente curta que continuaram atribuindo a interferências de algum tipo. Variando a direção da antena, a hora das observações e o lugar do planeta no espaço (medições estacionais), concluíram o descobrimento, na primavera de 64, de uma muito apreciável quantidade de microondas equivalentes a 3’5ºK, independente de qualquer direção medida. Isso indicava que, claramente, esse ruído não procedia da galáxia, e sim de um volume muito maior, de todo o Universo!

Ambos os cientistas, temerosos de anunciar esse dado totalmente improvável e estranho, telefonaram a um radioastrônomo, Bernard Burke, que por sua vez havia assistido uma palestra de Ken Turner, na Carnegie Institution, sobre uma conferência, que Turner havia ouvido na Universidade John Hopkins de outro colega, P.J.E. Puebles. Puebles afirmou que, se fosse correta a teoria do Big Bang, deveria permanecer um fundo de radiação de uns 10ºK, Penzias e Wilson entraram em contato com Puebles e com a Universidade de Princeton e os cálculos teóricos, corrigidos e melhor guiados, demonstraram que este resto de radiação cósmica coincidia quase que exatamente com o valor experimental encontrado.

O que, por casualidade, observaram esses jovens cientistas foi o resto de radiação emitida por bilhões de graus de temperatura necessários para que, no começo do Universo, a uma dada temperatura e pressão virtualmente infinita, os átomos de hidrogênio se combinassem entre si e dessem lugar a novos elementos. O que Penzias e Wilson haviam gravado não era, nem mais nem menos, do que o “som” do Big Bang. As coisas iam se esclarecendo. As galáxias se afastavam umas das outras como o resultado de um enorme estalo, naquele único ponto em que o Universo esteve concentrado. Inclusive havia-se encontrado e registrado, teórica e praticamente, o som da dita explosão.

A matéria teve sim uma origem.

O Final da Matéria e dos Neutrinos

Baseando-se nas equações de Einstein, o matemático russo Alexandre Friedman demonstrou que o Universo teria duas possibilidades. Se a densidade fosse baixa, quer dizer, se a matéria conhecida se revelasse insuficiente, a força de expansão do Big Bang disseminaria os pedaços desse Universo até diluí-los no infinito.

Ao contrário, se o valor da densidade do Universo fosse superior a um certo valor crítico, a atração gravitacional frearia o estímulo inicial, e não só isso; possibilitaria que, em um futuro remoto, a matéria do Universo, uma vez freada, fosse se atraindo mutuamente, “caindo” de novo até um centro comum e voltando a concentrar-se, provavelmente para explodir de novo e começar um novo ciclo.

O primeiro modelo é conhecido como “Universo aberto”, enquanto que o segundo denomina-se “fechado” ou “curvo” e, com certeza, lembra enormemente o similar hindu da expiração-inspiração de Brahma como responsável pela manifestação-não manifestação do Cosmos.

A próxima pergunta é: que densidade tem a matéria de nosso Universo? O que parece é que o valor limite teórico oscile ao redor de 6×10-29 g/cm3 (quer dizer, um 0’0… e mais 27 zeros com um 6 no final). As discussões sobre o valor real da densidade da matéria presente no Universo são muito acaloradas e, como era de se esperar, existem dois grupos que às vezes se enfrentam e defendem fortemente (nem a ciência se livra do inevitável arrebatamento humano), cada um de seu lado, um valor, em um caso, superior, e em outro, inferior ao previsto. E, naturalmente, ainda não entraram num acordo.

A matéria comporta-se de uma maneira muito curiosa, ou melhor, os esquemas matemáticos com os quais se pretende explicar seu comportamento têm perdido a naturalidade que caracterizava o conhecimento antigo. A moderna Mecânica Quântica, um autêntico alarde de abstração, onde muitas vezes para se estudar a matéria abstrai-se dela, tem em seu saber um número enorme de partículas e subpartículas, que aumentam continuamente, com as quais  pretende explicar a natureza do mundo subatômico e a origem, manifestação e observação do mesmo.

Entre essas partículas há uma verdadeiramente curiosa: não tem massa, não tem carga, não interage energeticamente… é um diminuto fantasma, ainda assim presente em qualquer reação de transformação de partículas. Referimo-nos ao neutrino.

O neutrino aparece cada vez que uma partícula muda sua natureza mediante radiação, intercâmbio e colisões. Portanto é onipresente. Todos estamos envoltos em neutrinos, em uma espessa sopa de neutrinos provenientes das reações termonucleares do Sol em sua maioria, ainda que também nos visitem os nascidos em misteriosas regiões do Infinito, surgidos em estranhas combinações quânticas. O que acontece é que não percebemos, pois uma vez nascidos (lamento utilizar uma terminologia tão “animista”, mas é inevitável) apenas interagem com o restante da matéria. Um jato de neutrinos, que viajam á velocidade da luz, pode atravessar a Terra, sem desvios nem paradas. Foi calculado que poderiam lançar-se através de 10 milhões de anos luz de chumbo (a cifra é impossível, porém descomunal) sem diminuir sua incidência em mais de 10%.

O estranho nesse caso é que há dois tipos de neutrinos, um associado ao elétron (partícula muito familiar) e outro ao muon (menos popular e que seria uma espécie de elétron mais pesado). Quer dizer, a natureza diferencia perfeitamente entre um e outro tipo de neutrino. Como o faz se não possui propriedades que os distingam?

Modernas investigações, que remontam a 1980, analisaram esta partícula sem massa nem carga, chegando à conclusão de que pelo menos algum tipo de neutrino teria algo de massa. Assim, elétrons e muons poderiam reconhecer cada um sua espécie neutrínica sem possibilidade de erro, coisa que, de fato, realizam. Este feito enfrenta a Teoria da Relatividade (a mais universalmente aceita e a que melhor resistiu a posteriores revisões), que estabelece que nenhum elemento material pode viajar à velocidade da luz e que, se o faz, carece de massa, logo não é material. Porém isso já outra história…

Posto que os neutrinos são tão importantes, com uma média de 100 por cm3, o descobrimento provável de que possuem uma massa diminuta, quase inapreciável, poderia mais do que duplicar a massa total do Universo. Nas palavras dos autores desta investigação, “esta duplicação alteraria substancialmente as interações gravitacionais da matéria nas galáxias. Ainda assim é curioso que as massas aparentes das galáxias, estimadas a partir do pequeno número de estrelas e da quantidade de pó e gás presentes, pareçam ser umas 10 vezes pequenas demais para manter unidos os cúmulos. Um mar de neutrinos, com uma massa de 10 eletrovolts, estendido por todo o espaço poderia explicar a coesão dos cúmulos. A uma escala ainda maior, a massa dos neutrinos influenciaria na evolução global do Universo… Um valor suficientemente grande da massa dos neutrinos poderia chegar a frear a larga expansão e conduzir a um grande colapso.”

Além de uma origem, parece que o Cosmos se contrai e terá um final.

José Manuel Escobero

Tróia, a Cidade Sonhada.

Para os antigos gregos, o Sítio de Tróia era o principal e maior acontecimento da Idade dos Heróis. Essa época prodigiosa em que os Imortais, que habitavam o Olimpo, e aqueles que os adoravam como Deuses, misturavam-se com os homens e participavam de seus assuntos.

Assim começa “A História de Tróia” de Roger Lancelyn Green, editado pela Siruela. Com Tróia, a idade heróica alcança o auge épico universal. Os Heróis são o fulgor da História, um brilho distante, resplendor da carne. De todas as lendas mitológicas do ocidente, as que pertencem ao belo povo grego são as que mais nos estremecem. Muitos são os livros que tratam de mitologia, legiões de obras que narram as aventuras e desventuras dos grandes Heróis e dos deuses olímpicos. A maioria dessas obras foi escrita das distantes alturas eruditas. Detesto os historiadores que falam e escrevem com frieza.

O bom historiador busca sempre uma posição distante e elevada, diziam na Faculdade os catedráticos de mentira. Baboseiras! O humano deve ser sempre apaixonado. Tem que sujar as mãos de vida e escrever somente sentindo o fragor da batalha, o rugido metálico do entrechocar dos escudos. Como não sentir uma profunda e sincera compaixão por Helena, causadora involuntária da guerra? Helena, por sobre os muros da sonhada Ílion, contempla a dor e a morte, o sofrimento dos gregos e troianos e exclama, despedaçada pela dor:

“Bem quisera que a cruel morte me tivesse arrebatado antes que Paris me levasse para longe de minha ditosa Esparta.”

Amor, sangue e traição são as palavras que servem de pilares nessa história de outrora. Tróia é a grande Cidade Invisível de nossa cultura, mostrada ao mundo pela magia de Heinrich Schileimann em 1868. Todos negavam sua existência, historiadores e arqueólogos a consideravam uma invenção de Homero, um conto de fadas, nada mais. Estavam errados!

Tróia resistiu ao assédio durante dez anos, porém a força das armas não conseguiu ir acima da astúcia do homem. Odisseu elaborara o estratagema mais famoso da história: o Cavalo de Tróia.

Em ouro, os gregos escreveram no lombo no cavalo:

“Para sua viagem de retorno, os gregos dedicam essa oferenda a Atena.”

Com essas palavras Ílion seria vencida. Apesar dos augúrios de Laocoonte, os troianos decidem introduzir o Cavalo na cidade. E aquela noite Tróia sucumbiu. Os ecos de sua grandeza foram se apagando, e sua glória, extinta. Sua lembrança, adormecida durante milênios nos versos dos bardos e trovadores.

Sempre há uma esperança. Da ruína, do fogo e da morte, um grupo de troianos consegue fugir. O capitão é o jovem Enéas. Fogem para o mar e depois de várias peripécias conseguem chegar a Cumas, na Itália. Ali, a Sibila anuncia que nas proximidades devem fundar uma cidade. Essa cidade, com o tempo, será chamada de Roma.

Iniciamos esse artigo com uma leitura de Roger Lancelyn Green, de igual modo acabaremos declamando uns versos do divino Homero. Na Ilíada, uma das passagens mais extraordinárias é o capítulo XXII, Morte de Heitor. Aquiles vai sozinho até as muralhas para vingar a morte de seu amado Pátroclo, desafiando Heitor para um combate único. Os versos 25-40 estão carregados de um forte dramatismo e tensão, pois o rei de Tróia, Príamo, ao ver chegar Aquiles, sente um grande pesar e medo pela sorte de seu filho Heitor.

25- O ancião Príamo foi o primeiro que, com seus próprios olhos, viu-o chegar pela planície, tão resplandecente como o astro, que no outono, distingue-se por seus vivos raios entre muitas estrelas durante a noite escura e recebe o nome de “Cachorro de Órion”, o qual, por ser brilhantíssimo, constitui um sinal funesto, porque traz excessivo calor aos míseros mortais; de igual maneira cintilava o bronze, sobre o peito do herói, enquanto este corria. Gemeu o velho, golpeando-se na cabeça com as mãos levantadas e proferiu grandes vozes e lamentos, dirigindo súplicas a seu filho. Heitor continuava imóvel diante das portas e sentia veemente desejo de combater com Aquiles. O ancião, tendo-o nos braços, dizia-lhe, em tom de lamento:

38- Heitor, filho querido! Não aguardes, só e distante dos amigos, esse homem, para que não morras nas mãos do Pélion. Ainda assim, infeliz pai, é o destino quem manda; e Heitor aguardou Aquiles…

Fermín Castro

Nós e a Vida – Qualidade de vida

Como conseqüência lógica das exigências de nossa civilização tecnológica, fundamentada na qualidade e rendimento de seus produtos, voltaram-se os olhos, finalmente, ao ser humano, o fator principal de qualquer modelo civilizatório, tecnológico ou não. Com o passar dos anos chegou-se à conclusão de que a qualidade objetiva da produção material é tão melhor quanto melhor se encontre o homem-produtor. Uma vez mais as máquinas sozinhas podem realizar uma obra acabada; o simples incentivo de ter mais bens ou ganhar mais dinheiro não é suficiente para fazer feliz o homem. Por isso está na moda agora tentar melhorar a qualidade de vida. Em milhares de empresas, grandes, pequenas e médias de todo o mundo lançaram-se campanhas para elevar a auto-estima, a eficácia consciente, o sentido de participação e responsabilidade, o desenvolvimento das relações humanas e da correta comunicação entre uns e outros.

Tudo isso é muito bom e, com efeito, tem-se conseguido avanços positivos em muitos casos: pessoas mais soltas, mais atentas ao seu trabalho e mais de acordo com o meio ambiente em que se encontram. Porém, cremos que a coisa não termina por aqui. Esta qualidade de vida tem uma motivação de partida que não cobre todo o aspecto humano; busca uma maior e melhor produção, porém não leva em consideração as outras necessidades inerentes à condição de estar vivos, de enfrentar dezenas e dezenas de situações, que nem sempre têm a ver com o trabalho e a produtividade. O ser humano requer, logicamente, meios materiais – mais ou menos tecnológicos – que lhe permitam subsistir dignamente. E, sobretudo, que lhe permitam competir e conseguir um lugar em meio a sociedades específicas, que medem as pessoas pelo que têm e pelo prestígio que alcançam.

Porém são podemos esquecer que, junto a essa subsistência material, existem sentimentos, nem sempre definidos, que alegram ou torturam – segundo o caso – aqueles que os experimentam; idéias nem sempre claras nem resolutas que dificultam uma caminhada segura, uma escolha para o futuro. E ainda agregaríamos a essas outras vivências, espirituais ou metafísicas, que surgem de repente na consciência, pedindo repostas aos enigmas de sempre. Para falar de uma autêntica qualidade de vida devemos considerar o homem em sua integridade e não somente o que pode dar ou produzir. Deve-se considerar uma educação que, desde os primeiros anos, propicie o desenvolvimento psicológico, mental, moral e espiritual daqueles que, mais adiante, terão que dar o melhor de si, tendo que primeiramente, ser melhores. No psicológico é importante que cada um saiba distinguir suas emoções cotidianas e passageiras daqueles sentimentos profundos, que podem e devem ser alimentados para que perdurem e proporcionem uma felicidade estável. Ainda que se relacione a qualidade de vida com experiências emocionais superficiais e mutantes, colocando aí a ênfase e o interesse, não haverá, assim, pessoas seguras de si mesmas nem daqueles que estão à sua volta. O variável pode entreter por algum tempo, porém não leva o selo de qualidade.

No mental, não é necessário apenas estudar, tal como hoje se entende, porque a realidade demonstra com quanta facilidade se esquece o que se estuda mal. É necessário aprender, recordar com inteligência, somar experiências próprias e de outros, fazer vital todo o aprendizado para obter, também nesse nível, qualidade de vida.

No moral, e ainda que os exemplos diários indiquem o contrário, é indispensável desenvolver as virtudes latentes em todos os seres humanos. Não importa que “não esteja na moda” ser bom, honesto, justo, prudente, cortês, valoroso, generoso, digno; simplesmente que, sem essas e outras características similares, não haverá qualidade de vida. E os feitos assim o demonstram.

No espiritual, sem cair em fórmulas fanáticas e intransigentes, há que oferecer uma saída às inquietudes da alma que quer saber o que fazemos aqui no mundo, de onde viemos e aonde vamos. Sobram ensinamentos e conselhos de grandes sábios, de ontem e de hoje, para assinalar as perspectivas nesse sentido, Deve-se saber aproveitá-los e deixar de lado a prejudicial vaidade de que ninguém pode nos transmitir algo válido, ainda menos se são conceitos que atravessaram o Tempo desde a Antiguidade.

Verdadeiramente, todos queremos qualidade de vida. Porém queremos dar à Vida seu verdadeiro e amplo significado e que a qualidade nos faça melhores em todos os aspectos. Então seremos mais eficazes, mais felizes, mais inteligentes, um pouco mais sábios e poderemos ostentar com orgulho o qualificativo de seres humanos.

Triunfar na vida

A história é um extraordinário mostruário onde aparecem, como cristais de cores que variam de tonalidade segundo a luz, as diferentes idéias que configuraram os estilos de vida do homem. Cada período tem seus parâmetros e, no caminho incessante da busca, os humanos regem-se por esses modelos, tratando de segui-los e obedecê-los, tanto quanto não fariam com nenhuma outra idéia que proviesse de outra fonte. O comumente aceito é lei e, de acordo com o transcurso dos tempos, há aceitações que têm mais valor do que leis.

Assim, em todo momento, o êxito foi uma meta, ainda que nem sempre tenha se considerado o êxito de igual maneira. O que assinalava o triunfo há um século, ou algumas décadas atrás, hoje pode bem parecer uma idéia desfocada e fora de moda, considerando que outras ambições tomaram o lugar das anteriores. Uma só coisa permanece: o desejo de sucesso, a necessidade de triunfar, a vontade de sermos aceitos e levados em consideração pelos demais, ajustando-nos à lei que faz do conjunto – nós e os demais – uma massa coerente na qual não se pode sobressair, nem sequer para encontrar esse sucesso por outros caminhos.

As estatísticas ocupam páginas e páginas de dezenas de publicações. Está muito claro que, nesses anos do final de nosso século, o triunfo está delimitado pelo prestígio social e pelo poder econômico, os quais podem derivar outras formas de poder que, por sua vez, aumentam o prestígio. Certo é que a investigação, as ciências, as artes, o conhecimento em geral ocupam um lugar, porém cada vez menor. O saber é um belo adorno que, salvo exceções, vem unido ao mencionado prestígio de uma sólida posição social avalizada por uma respeitável fortuna econômica.

Não é de se estranhar, pois, que sobretudo os jovens, alinhem suas aspirações nessas formas de êxito se querem ver-se dentro das sociedades em que vivem, se não querem figurar nas longas listas dos “marginalizados”. Hoje, encara-se o futuro dessa perspectiva; uma vocação deve ir acompanhada de um questionário indispensável sobre a praticidade da mesma quanto ao poderio e à riqueza. Aumenta a lista de carreiras que se pode cursar, pensando sempre na possibilidade de um êxito rápido e fecundo, de uma posição social entendida como sólida e duradoura.

Nem tudo o que reluz é ouro

Se essas fossem verdadeiramente fórmulas para triunfar na vida, deveria haver muito mais seres felizes do que encontramos. A menos que aceitemos que uma coisa é o triunfo e outra é a felicidade.

Há muitíssimas pessoas – se bem que são muitíssimas mais as que não se encaixam nesse marco – que têm conseguido adaptar-se às exigências de nosso momento. Aparentemente têm tudo, mas, ainda assim, as mesmas estatísticas, que nos põem o sucesso nas mãos, demonstram que aumentam progressivamente os estados de psicose, depressão, angústia, insatisfação, solidão, agressividade, tédio, corrupção e outras muitas situações psicológicas, que formam o quadro geral do “stress”.

Devemos pensar, então, que essas pessoas não triunfaram? Ou que seu triunfo não é total, que não preenche suas vidas? Que é um lutar constante para não chegar jamais a nenhum porto?

Devemos, talvez, projetar outros estilos de triunfo que, se bem que não se adaptem às modalidades aceitas, possam chegar a ser mais efetivos?

Inclinamo-nos, sem dúvida alguma, à segunda pergunta e às repostas que ela implica.

Uma das questões que mais nos preocupa é a falibilidade das coisas que conseguimos, o pouco que dura o que acreditávamos perdurável, o pouco que se mantém o que supúnhamos imóvel. Com o êxito acontece precisamente isso: necessitamos de um êxito que, ainda que pequeno, não se desvaneça de imediato, que nos deixe ao menos uma dose de satisfação e de paz. Propomos, pois, umas simples chave para conseguir, nos mais variados terrenos, um triunfo mais humano, mais estável, mais de acordo com nossos sonhos e aspirações.

É evidente que não basta sonhar para converter-se em um triunfador. Temos que atuar, temos que saber desenvolver uma sã atividade fundamentada na vontade. Não atuar por atuar, mas sim elegendo as melhores e mais adequadas ações.

O velho conselho de conhecer-se a si mesmo não perdeu a atualidade; mal podemos focalizar um trabalho proveitoso se não sabemos quem somos, quais são nossas habilidades e possibilidades. E, uma vez que as conheçamos, temos que treiná-las de modo a exercer alguma atividade útil a nós mesmos e aos demais.

Fazer bem todos os trabalhos que empreendamos, não somente pelo prêmio que possamos receber, senão pela satisfação de comprovar nossa própria eficácia. Saber conformar-se com o que vamos obter e, ao mesmo tempo, não nos conformarmos jamais, buscando sempre uma cota mais alta de rendimento.

Não deixar-se esmagar nunca pelos problemas, por mais difíceis que pareçam. Ao contrário, esforçar a imaginação para buscar saídas e soluções. Conceber as dificuldades como provas para a nossa inteligência e nossa vontade. E, na pior das hipóteses, converter os fracassos em novas oportunidades para voltar a começar.

Saber aproveitar as oportunidades. A vida está cheia de oportunidades, porém se vamos com os olhos fechados não as descobriremos. Se nos fechamos em nossos conflitos e os ruminamos constantemente, perdemos energias e não saímos desse círculo vicioso, depreciando as mil portas que o pretendido labirinto estava oferecendo.

Ensaiar-se constantemente no amar, que é a melhor forma de compreender os demais. Ajudar alegre e generosamente aos outros, que é a melhor forma de sentir-se feliz consigo mesmo.

Buscar o sentido da Vida e tratar de encontrar o sentido de nossa própria vida. Nada acontece por acaso e as respostas se oferecem somente aos que as perseguem com espírito de sabedoria, com o valor dos que têm certeza da conquista.

Melhorar diariamente tudo o que fazemos; melhorar sem esmorecer tudo o que nos rodeia. Colocar luz em todos os cantos; colocar luz em todos os lugares – externos e internos – em que estivermos.

Quem conseguir aplicar essas poucas chaves será uma pessoa segura de si mesma, uma pessoa satisfeita na medida em que a satisfação seja o alimento dos humanos. Quem conseguir esses feitos será, certamente, um triunfador. E, ainda que ninguém o confesse porque a moda não o permite, todos gostariam de alcançar esse estilo de sucesso.

Se fossem muitos os que trabalhassem assim, até valeria a pena fazer dessa particular maneira de triunfar na vida, uma moda.

Delia Steinberg Guzmán

CONVITE À MÚSICA – ROBERT SCHUMANN, ESCRITOR E ARTICULISTA

Em 2006 comemorou-se o aniversário de 150 do falecimento de Robert Schumann (1810-1856), e desde então se programaram concertos e atividades de todo tipo em sua homenagem. Queremos nos unir a essas comemorações trazendo aos leitores um aspecto pouco conhecido de Schumann: sua faceta de escritor e articulista.

Poucos músicos tiveram uma pena tão ativa como Robert Schumann. Seus artigos, especialmente em Neue Leipziger Zeitschrift für Musik (Nova Revista Musical de Leipzig), fundada por ele em 1834, deram a conhecer alguns dos maiores autores de seu tempo: “…descubram-se senhores, estão ante um gênio”, escreveu ao escutar Chopin; também a Brahms deu a conhecer através de um artigo intitulado “Novos Caminhos”.

Músico e poeta – como bom romântico – dedicou uma parte de sua obra aos jovens que se iniciavam na arte da música. Para eles escreveu em 1848 seu Opus 68 “Album für die Jugend” (Álbum para a Juventude) que dedicou a uma de suas filhas em seu sétimo aniversário. O curioso desta obra é que o manuscrito do álbum contém anotações nas margens. São apontes iniciais que depois se converteriam nas “Regras musicais para a vida e para o lar”, uma espécie de código ou de normas fundamentais para os músicos mais jovens. Normas que foram pensadas por Schumann como um anexo ao álbum, acompanhando a cada uma das peças.

Provavelmente essas regras sejam a parte literária mais conhecida de Schumann – ainda que sua produção seja muito extensa – , vale a pena dedicar-lhe umas linhas e reler algumas delas.

Sabemos que as “Regras musicais para a vida e o lar” são, em parte, uma re-elaboração de escritos anteriores publicados em forma dispersa, e que pretendia editá-las como anexo ao “Álbum para a Juventude”. Porém não logrou editá-lo em sua primeira edição e teve que esperar até a segunda em 1850. São um total de 68 aforismos, número que coincide com o do Opus do álbum e desde que, em 1854, outro insigne músico, Franz Lizt realizou a primeira tradução para o francês, não pararam as traduções para todos os idiomas. Ainda que as “Regras musicais para a vida e o lar” sejam conhecidas por muitos músicos em espanhol, só podiam ser encontradas junto à edição da partitura ou na internet e na maioria dos casos mal traduzidas.

Vão estas linhas como homenagem ao gênio de Schumann e sirvam algumas das regras para concluir nosso artigo, pois, como bom artista, Schumann soube colocar uma pérola de beleza em cada uma.

N0 20 As obras com passagens só para luzir, envelhecem depressa. O virtuosismo só tem valor quando está a serviço das idéias.

N0 32 Ama teu instrumento, porém não o considere vaidosamente o mais belo e o único.

N0 34 Toca assiduamente as fugas dos bons maestros, sobretudo as de Johan Sebastian Bach. O “Cravo Bem Temperado”, deve ser teu pão cotidiano. Então chegarás a ser, sem dúvida, um excelente músico.

N0 47 Escuta atentamente os cantos populares; são uma fonte inesgotável das mais belas melodias e te darão uma idéia do caráter das diferentes nações.

N0 51 Respeita o antigo, porém abre teu coração também ao novo. Não tenha preconceitos com nomes que te são desconhecidos.

N0 60 As leis da moral são também as leis da arte.

Sebastián Pérez –

Em Busca da Arte – Artemisa Gentileschi

Palácio degli Uffizi, Florença

Esta grande tela, 199×162 cm, de 1620, é uma das grandes obras da pintora, filha de um pintor. Seu movimento resulta assombroso: o entrecruzamento de linhas estabelecido pelos braços dos três personagens nos desaparece no dramático caos da cena. Há um triângulo principal, as três cabeças, de expressões reveladoras: Judith não sente ódio, simplesmente está cumprindo um dever para com seu povo. Seu gesto é determinado, concentrado, o mesmo que teria para fazer qualquer trabalho que necessitasse força. A criada que a ajuda, igualmente, é tão só uma presença passiva, alheia a qualquer sentimento. O general Holofernes nos aparece como um personagem alheio a seu próprio drama: não existe dor em seu rosto, senão uma estranha aceitação de seu destino.

Há uma interessante linha reta central, da cabeça da criada à ponta da espada, que “tranqüiliza” o caos, e que o resolve nas linhas retas do leito, fechando a cena por baixo. Cena sem cenário, que não necessitamos porque nada deve nos distrair do feito narrado. O ato é violência em estado puro, transmitida pela diagonal dos braços de Judith contrapostos ao do general que se defende. Violência nas cores vermelhas do sangue, acentuados na colcha e nas mangas das mulheres, inclusive nos soberbos toques de luz nas feridas.

Magistral o tratamento das vestes, surgindo da negrura do fundo. Há quem sabe um toque de Caravaggio neste fechar de cena com corpulências horizontais, como em seu “Sono da Virgem”, fazendo-nos contemplar a cena desde baixo.

Em um mundo de homens, Artemisa toca um tema de força, e pinta com força. Como em outros de seus quadros que temos comentado, nos mostra que é uma mulher… que sabe lutar.

Guiomar

PROTAGONISTAS DA HISTÓRIA – ARISTÓTELES, A PAIXÃO DE SABER

“Considero mais valente o que conquista seus desejos do que o que conquista seus inimigos, já que a mais dura vitória é a vitória sobre si mesmo.” – Aristóteles

A influência do legado de Aristóteles sobre nosso mundo é enorme e segue presente depois de mais de 2300 anos de sua morte.

Nasceu no ano 384 a.C. em uma pequena localidade macedônica, próxima ao monte Athos, chamada Estagira, de onde vem seu sobrenome, o Estagirita. Seu pai, Nicómaco, era médico na corte de Amintas III, rei da Macedônia. Isso nos exorta que Aristóteles foi iniciado desde pequeno nos segredos da medicina e desde aí veio sua afeição à investigação experimental e à ciência positiva.

No ano de 367, quer dizer, quando tinha dezessete anos, foi enviado a Atenas para estudar na Academia de Platão. Neste momento, Platão tinha cerca de 50 anos.

Aristóteles se converteu em um de seus discípulos mais lúcidos, e seu protetor o chamava “o leitor”. Desta época só conhecemos alguns diálogos escritos à maneira platônica (forma dialogada de raciocinar).

Não se sabe que tipo de relação pessoal se estabeleceu entre ambos filósofos, porém, a julgar pelas escassas referências que fazem um do outro em seus escritos, não cabe falar de cordialidade precisamente, o que resulta lógico, se considerarmos que Aristóteles ia iniciar seu próprio sistema filosófico, modificando muitas das idéias de Platão, para substituí-las pelos métodos de observação e experiência. Assim configura seu próprio sistema de pensamento, que se separa do de Platão no ponto fundamental: Aristóteles não aceita que as idéias sejam entidades subsistentes em um mundo separado da realidade sensível; para ele as idéias não são, senão, a essência das coisas, que estão nas coisas mesmas, cuja constituição explica mediante os conceitos de potência e ato, matéria e forma, ou a teoria das quatro formas (material, formal, eficiente e final). De maneira que seu sentido da realidade e dos atos empíricos o levam a abandonar as místicas doutrinas das idéias, da imortalidade e da transmigração da alma.

Foi o criador da lógica, a qual considerou uma parte essencial da filosofia ou mais precisamente, seu método.

Recolhemos algumas palavras de Julián Marías acerca do grande legado aristotélico: “Poucos lêem filosofia, porém todos vivemos e todos usamos uma língua que é aristotélica em uma grande proporção. Pessoas que não sabem quem era Aristóteles e nem conhecem seu nome (e por suposto não sabem nenhuma palavra em grego), manejam justamente o vocabulário e o sistema conceitual de Aristóteles todo o tempo. Neste sentido, a fecundidade aristotélica é extraordinária, e Aristóteles se enfrenta com os problemas com uma grande claridade, com um rigor assombroso. Quando se lê Aristóteles, quando se lê a ele mesmo, diretamente, se tem a impressão de aproximação da realidade, penetrando-a. Por exemplo, quando Aristóteles fala de substância, diz que substâncias são propriamente as coisas naturais, são os homens, os animais, as plantas ou suas partes, a terra, a água. E existem outras coisas: a mesa por exemplo, já não é natural, é apotekhnes. É algo que deriva da técnica: tekhné é arte, a arte de curar, por exemplo, é o nome que se dava à medicina. E então são realidades, são substâncias segundas, não são verdadeiras substâncias”.

Depois da morte de Platão (347 a.C.) Aristóteles partiu para a corte de Hermias, na Ásia menor, e ali se casou com a filha deste, Pythias. Em 344, partiu com a sua família para Mitilene, e daí, um ou dois anos mais tarde, foi chamado a sua cidade natal, Estagira, pelo rei Filipo da Macedonia, para que se convertesse no tutor de Alexandre, que então contava com treze anos. Plutarco afirma que Aristóteles não só inseriu no futuro conquistador do mundo conhecimentos de ética e de política, mas que também o iniciou nos mais profundos segredos da filosofia.

Após a batalha de Queronea, em 335, Aristóteles regressou a Atenas. Fundou o Liceu – assim chamado por se localizar próximo do templo de Apolo Licio – e iniciou a atividade docente com independência da academia platônica. Imediatamente seus alunos receberam o nome de peripatéticos, por suas aulas ocorrerem enquanto passeavam pelo jardim e pelo peripato (espécie de galeria de colunas). Dois cursos simultâneos e diferentes se davam no Liceu: um pela manhã, para os alunos mais adiantados e outro, pela tarde, para os menos iniciados. As necessidades de espaço obrigaram Aristóteles a adquirir um imóvel próximo, onde foi reunindo uma imensa biblioteca, junto a uma importante coleção de mapas e material para o estudo da história natural, assim como um arquivo em que, entre outros documentos, se recolheram as constituições de grande parte das cidades gregas. Pela primeira vez, além disso, começou-se a estudar a história da primitiva filosofia grega.

Quando chegaram as notícias da morte de Alexandre a Atenas, Aristóteles sofreu forçosamente a hostilidade geral dos macedônios. A acusação de impiedade, que se tinham esgrimido contra Anaxágoras e Sócrates, foi agora lançada sobre ele.

Abandonou a cidade enquanto afirmava que não permitiria que os atenienses pecassem pela terceira vez contra a filosofia. Estabeleceu sua residência em sua pátria, em Calcis, Eubea e ali morreu no ano seguinte, em 322 a.C. Sua morte ocorreu devido a uma antiga doença.

Seu caráter, revelado em suas obras, seu testamento, fragmento de suas cartas e alusões de alguns contemporâneos, mostram um homem magnânimo e de grande coração, amante de sua família e de seus amigos, amável com seus escravos, justo com seus inimigos e rivais, e grato a seus bem feitores. Em uma palavra, a personificação daquelas idéias morais que ele deixou em seus tratados de ética e que agora recomendamos.

Julián Palomares

Viver Sadios – Cloreto de Sódio, O Sal da Vida

O sal comum é uma das substâncias minerais mais abundantes na natureza, seja no estado de rocha, conhecido como sal gema ou sal pedra, ou em solução na água marinha, chamado de sal marinho. Desde épocas pré-históricas o sal despertou grande interesse, pelo fato de conservar a carne de caça ou pesca, ao tirar a água presente nos alimentos e impedir a proliferação das bactérias. Daí a importância das conservas e defumados como métodos de desidratação dos alimentos.

A palavra salário tem origem no latim, significa a quantidade de sal que os romanos pagavam aos seus legionários para que pudessem conservar a comida, pois nesta época não existiam frigoríficos…

Na química, os sais são compostos resultantes da união de um ácido e uma base com eliminação de água. Quando estão em meio líquido, os elementos constituintes dos sais se separam e passam a se chamar eletrólitos, porque apresentam uma pequena carga elétrica. Existem muitos tipos de sais, mas quando falamos coloquialmente de sal, referimo-nos ao cloreto de sódio, cuja fórmula, NaCl resulta da união de sódio (do latim natrium) e de cloro. Dos dois componentes, é o sódio que possui uma grande relevância para a saúde.  A seiva das plantas e o sangue dos animais e do homem têm uma concentração de sais parecida, muito semelhante à da água do mar, de quase um por cento, quantidade que o corpo deve manter constantemente. Essa é a razão pela qual sentimos sede depois de comer alimentos salgados, porque o organismo está pedindo água para adicioná-la aos fluidos corporais e dissolver o excesso de sal.

No corpo humano há também sal na saliva, nos sucos gástricos e mucosas nasais e bucais, que cumprem funções muito importantes. Entre elas: o sal possibilita o transporte de CO2 no sangue, desde os tecidos aos pulmões, para expulsá-lo em cada expiração. Este gás apresenta um problema, já que se dissolve em água, formando ácido carbônico, e é tamanha a quantidade que se transporta em cada momento, que se acidifica o sangue, desde os tecidos aos pulmões, para expulsá-lo com cada expiração. Este gás apresenta um problema já que se dissolve em água formando ácido carbônico, e é tamanha a quantidade que transporta que acidificaria o sangue e seria impossível a vida das células, que necessitam de um pH próximo à neutralidade. Desse modo, o corpo humano desenhou um sistema pelo qual o CO2 se combina com o sódio para formar carbonato de sódio, um sal neutro que não apresenta nenhuma complicação.

Outra das funções do sal comum é contribuir para fabricação do ácido clorídrico no estômago, indispensável para uma boa digestão.

Além do sódio, outro eletrólito fundamental é o potássio. Tanto o sódio como o potássio, regulam o nível de água do organismo, o ritmo de contração do músculo cardíaco, a transmissão do impulso nervoso aos músculos, e mantêm o equilíbrio ácido-básico do organismo. Enquanto que o sódio é o componente principal dos fluidos extracelulares, quase todo o potássio se encontra no interior da célula, e o equilíbrio entre as proporções dos dois é que permite todos os mecanismos de regulação.

Desse modo, os inconvenientes da dieta ocidental não são apenas o excesso de sódio, mas que este vá acompanhado de um menor aporte de potássio, o que provoca um desequilíbrio entre ambos.

O sal é indispensável para a saúde, já que o organismo não pode acumular os eletrólitos e os elimina na mesma medida em que os ingere, mas as necessidades do corpo são muito reduzidas. Os sais são eliminados através do suor, das fezes, da urina e das lágrimas. Em uma pessoa sã, a dose de sal diária deveria ser de quatro gramas totais, quantidade que normalmente duplicamos. Uma quarta parte do sal que ingerimos está presente nos alimentos de forma natural, outra quarta parte adicionamos à comida ao prepará-la ou com o saleiro nas refeições, e aproximadamente a metade do sal que ingerimos já foi adicionada pelos fabricantes aos alimentos processados. As crianças são muito sensíveis ao sal, porque nos bebês os rins ainda não estão totalmente formados, por isso os alimentos infantis costumam parecer sem graça.

Os sintomas de falta de sal no organismo são câimbras e debilidade muscular. Isso pode acontecer com os esportistas em épocas de calor, se não repõem com bebidas isotônicas as perdas por suor.

O sal que podemos encontrar nos supermercados é geralmente refinado, mais seco que o sal marinho, porque incorpora fosfato de cal. Algumas vezes, está enriquecido com iodo, indispensável para o bom funcionamento da glândula tireóide. Melhor que ele é o sal marinho não processado, de cor acinzentada, que além de NaCl contém outros sais, oligoelementos e minerais, incluindo iodo. É mais sadio e completo que o refinado, e como tem um sabor mais acentuado, permite empregá-lo em menor quantidade. Em herbanários vendem-se também sais de ervas, que combinam o sal marinho com ervas aromáticas.

Ainda que nosso corpo, em estado são, esteja capacitado para eliminar o excesso de sal que ingerimos, um abuso contínuo obriga o rim a trabalhar muito, e tem, ao longo do tempo, conseqüências na saúde. Por isso, o melhor conselho que podemos seguir é moderar o uso do sal, lembrando que o gosto por ele é adquirido, deve-se apenas ao hábito, o que significa que podemos reeducá-lo. Veremos, na medida que comemos menos sal, que a preferência por ele diminui. Inclusive descobriremos um maior sabor nos alimentos.

O excesso de sal e o desequilíbrio sódio/potássio se associam a doenças como hipertensão, insuficiência cardíaca, aterosclerose, retenção de líquidos, fadiga crônica, osteoporose, pedras nos rins, câncer de faringe e de estômago.

Se queremos reduzir o consumo de sal, devemos nos fixar não apenas no que adicionamos à comida, mas nos alimentos que ingerimos. É aconselhável adequar nossa alimentação para que seja rica em potássio e pobre em sódio. Para isso, a chave está em comer menos alimentos processados e mais frutas e verduras. Os alimentos ricos em potássio são as verduras de folha verde, como alface ou espinafre, frutas, entre elas banana, o tomate e a batata, enquanto que o café, o açúcar, o tabaco e o álcool provocam a perda deste mineral através do rim. Os alimentos mais salgados e, portanto, mais ricos em sódio, são azeitonas, pão, queijo, pepino em conserva,  maionese, pizza, frutas secas, alimentos defumados e curtidos, anchovas, presunto, marisco, conservas e peixes no sal.

É bom manter uma uniformidade com relação à quantidade de sal ingerido, sem cair, por exemplo, nos extremos de comer diariamente alimentos sem sal e comer nos fins de semana alimentos salgados, para não submeter o organismo às variações bruscas da tensão arterial. E, nestes casos, como medida imediata, obrigamos o corpo a incorporar mais líquido ao sangue para diminuir assim a proporção de sal, este aumento de volume sangüíneo faz mais pressão sobre as paredes das artérias e força o coração a trabalhar mais.

Uma dica para quem precisa se acostumar a reduzir a quantidade de sal, é cozinhar sem ele e usar o saleiro no prato, porque assim a quantidade final é menor. Finalmente, para potencializar o sabor dos pratos, pode-se temperar a comida com especiarias e ervas aromáticas, como alecrim, salvia, louro, alfavaca, e utilizar azeite de oliva, alho, cebola, limão e vinagre.

Isabel Pérez Arellano

Guia GEA de boas práticas no meio ambiente

Apresentamos um pequeno guia do Grupo de Ecologia Ativa – GEA – para que as pessoas se relacionem de uma maneira menos agressiva com a Natureza. O objetivo é que nossa atuação, por e para a vida, não seja às custas dos demais seres.

Este guia não está completo, mas tem um certo senso comum e coerência com nossas atitudes. Quando levado à prática, com perseverança, tem efeitos positivos imediatos em nosso próprio equilíbrio e saúde, e no equilíbrio e saúde do nosso entorno.

A ação individual pode sustentar-se por quatro pilares:

Demanda racional e sustentável de recursos naturais;

Redução de resíduos e poluentes;

Regeneração de espécies e espaços deteriorados;

Conservação de espécies e espaços naturais.

Demanda racional e sustentável de recursos naturais

Para levar a cabo o conjunto de atividades necessárias para uma vida social e individual dignas, é imprescindível que empreguemos recursos naturais, sejam matérias-primas ou recursos energéticos. Para que esta demanda produza o menor impacto, deve cumprir com um critério de racionalidade e de sustentabilidade.

Racionalidade

Definir o marco de atuação e objetivos que me desenvolvam como ser humano completo.

Reduzir o consumo ao mínimo necessário para alcançar estes objetivos.

Sustentabilidade

Consumir a um ritmo que permita a regeneração ou reposição do recurso, de tal maneira que continue suficiente para as gerações futuras.

Estes critérios de racionalidade e sustentabilidade têm um âmbito de aplicação individual (na esfera de decisões e atuações pessoais) e coletivo (tanto pelas decisões e atuações administrativas que afetam a sociedade, como pela soma das atuações individuais).

De qualquer forma, nunca poderemos abdicar da nossa responsabilidade individual, independentemente da realidade da Administração Pública.

O efeito da nossa ação individual é imediato e acumula-se com os efeitos das ações dos demais cidadãos.

Nossa ação pode se concretizar em:

Buscar metas e objetivos que desenvolvam e potencializem o melhor de nós mesmos. Com isso se consome menos.

Reduzir o consumo de energia.

Economia com eletricidade

Usar lâmpadas de baixo consumo, que consomem 20% e duram oito vezes mais do que as normais. Uma lâmpada de baixo consumo, de 11-15 W, pode economizar por volta de R$140,00 e evitar a emissão de quase 500 kg de CO2 à atmosfera.

Usar as máquinas de lavar louça e de lavar roupa com o máximo da sua capacidade, programas curtos e com baixa temperatura.

Descongelar a geladeira antes que a camada de gelo supere os 3 mm de espessura. Assim, pode-se conseguir uma economia de até 30%. Ajustar o termostato para uma temperatura de 6ºC no compartimento de refrigeração e -18º C no congelador.

Escolher eletrodomésticos com alta eficiência energética (A-B).

Desligar luzes e eletrodomésticos que não estão sendo usados.

Aparelhos em stand by também consomem.

Fogão à gás é melhor que o elétrico.

Vitrocerâmico à gás é melhor que vitrocerâmico à indução e esta, por sua vez, é melhor que as vitrocerâmicos elétricos normais.

Economia em calefação ou climatização.

Isolar paredes para evitar perdas de calor.

Janela dupla ou vidro. Instalar toldos, fechar cortinas e descer as persianas para evitar que se perca calor no inverno ou que se esquente a casa no verão.

Programar a climatização para que não haja uma diferença de temperatura superior aos 12ºC em relação ao exterior.

Ventilador é melhor que ar condicionado.

Se o ar condicionado for imprescindível, racionalizar seu uso.

Evitar a calefação elétrica. Os melhores sistemas de calefação são, nesta ordem:

• Solar térmico

• Biogás

• Biomassa

• Gás butano

• Propano

• Gás natural

Reduzir o consumo de água.

Consertar vazamentos. Uma gota por segundo supõe um gasto de 30 litros diários.

Colocar difusores de água nas torneiras.

Um banho mais rápido em vez de um demorado.

Fechar a torneira quando não se está usando.

Não jogar objetos no vaso sanitário.

Usar lava-louças e máquinas de lavar roupas no máximo da sua capacidade.

Não descongelar os alimentos sob a água da torneira.

Lavar o carro com balde e esponja ao invés de usar a mangueira.

Regar as plantas do jardim ou vasos sem encharcá-los. Se for possível, instalar sistemas de irrigação por gotejamento.

Consumo responsável

Comércio justo. Que ganhe aquele que mais necessita.

Consumo de produtos locais e frescos. Certamente colocarão no mercado com menor gasto energético e de embalagem, e com menos conservantes.

Consumo de produtos reciclados e recicláveis. Se for possível, escolher produtos que não sejam de apenas um uso. Exemplo: guardanapos de tecido e louça de vidro em vez dos guardanapos de papel e pratos de plástico.

Consumo imprescindível. O que vou comprar é necessário?

Aparelhos elétricos: escolher os de maior eficiência energética. Em todas as etiquetas aparecem alguns códigos de eficiência que vão desde o A (maior eficiência) até o F (eficiência nula).

Em igualdade de uso, escolher os produtos com menor quantidade de embalagem, menos tóxicos e mais duradouros.

Não buscar soluções químicas para tudo. Recuperar receitas caseiras para substituir muitos produtos de limpeza.

Cuidar e conservar os móveis. Comprar móveis com madeira certificada ou madeira reutilizada, ou móveis de vime.

Aproveitar bem o papel. Suprimir o gasto desnecessário de envoltórios e cartões.

Evitar o consumo de pilhas. Usar pilhas recarregáveis.

Aproveitar bem tudo o que compramos.

Na alimentação, consumir na medida do possível produtos derivados da agricultura e pecuária, que respeitam o meio ambiente (produção ecológica ou produção integrada).

Evitar o consumo de alimentos transgênicos, ou com muitos aditivos.

Recuperar bons hábitos alimentícios: menos carne e mais verduras e legumes. É mais saudável e utilizam menos recursos (terra fértil, água e fertilizantes e praguicidas) para produzir vegetais do que carne.

Escolher as espécies de peixe obtidas por artes seletivas (como a merluza pescada com anzol), e animais de granja criados por métodos não intensivos. Não consumir espécies proibidas, nem as que não tenham a idade mínima. Interessar-se pelo itens que tenham alguns dos requisitos assinalados anteriormente. O vendedor tomará nota.

Redução de resíduos e poluentes

Paralelamente em conseguir viver com menos consumo de recursos naturais e de energia, é necessário reduzir a quantidade de resíduos e poluentes que produzimos, assim como, conseguir que a maior quantidade possível destes resíduos se incorporem aos circuitos de reciclagem e recuperação.

De início, se reduzimos nosso consumo, também estamos baixando a produção de resíduos. Não obstante, devemos levar nossa atenção para os seguintes pontos:

Antes de jogar fora alguma coisa, pensar se  tem proveito para outras pessoas.

Separar nosso lixo doméstico.

Papel e papelão nas lixeiras próprias.

Vidro (garrafas e copos) nas lixeiras próprias.

Embalagem de plástico, latas e tetra paks nas lixeiras corretas. Para cada duas toneladas de plástico reciclado se economiza uma tonelada de petróleo.

Os diferentes tipos de pilhas nas lixeiras públicas ou comércios.

Medicamentos e radiografias geralmente em farmácias.

Bens de consumo de informática em lojas.

Móveis, colchões e grandes volumes em geral. Centros de coleta ou sistemas municipais de coleta.

Produtos químicos (limpadores, pinturas, vernizes, etc.) em centros de coleta.

Óleos usados em veículos, nas oficinas.

Eletrodomésticos em centros de coleta ou sistemas municipais de coleta.

Aparelhos eletrônicos, telefones celulares e computadores. Em centros de coleta, lojas, ONGs.

Reduzir a poluição atmosférica (mudança climática).

Qualquer sistema de redução do consumo de energia reduz a contaminação atmosférica.

O produto reciclado reduz a contaminação atmosférica, ao diminuir a energia necessária para voltar a fabricar os produtos.

Caminhar a pé, de bicicleta ou usar transporte público.

Se utilizar o carro:

Procurar compartilhá-lo com os colegas de trabalho.

Fazer uma boa revisão e manutenção do motor.

Revisar a pressão de ar nos pneus.

Usar as marchas longas o máximo possível, sem acelerações.

Desligar o motor em paradas contínuas.

Usar o ar condicionado só se for imprescindível.

Incluir nos critérios de seleção de um carro novo, o grau de consumo, seus níveis de emissão e a possibilidade de usar motores híbridos ou com emprego de biocombustíveis.

Na medida do possível, não utilizar aerossóis.

Reduzir a contaminação da água.

Não jogar produto químico, que não seja biodegradável, pelos desaguamentos.

Ser comedido no uso de detergentes, géis e sabões.

Muita precaução com as pilhas. Uma só pilha pode contaminar quase meio milhão de litros de água.

Procurar sempre alternativas ao consumo de produtos tóxicos.

Regeneração de espécies e espaços deteriorados

Este tipo de atividade é mais limitada porque requer coordenação e assessoramento de especialistas. Muitas atitudes só podem ser efetivadas com autorização prévia da autoridade competente. Portanto, recomendamos alguns pontos:

Em primeiro lugar, é importante perceber que a regeneração de ecossistemas alterados também depende de nós.

Para isso, podemos colaborar com os projetos que colocam em marcha muitos grupos conservacionistas.

A colaboração pode ser através de trabalho voluntário, contribuições financeiras, etc.

Se temos um jardim ou um pedaço de terra, podemos plantar espécies autóctones, de tal maneira que possam servir de suporte para pequenas comunidades faunísticas. Também podemos colocar ninhos, comedouros, açudes para anfíbios ou qualquer dispositivo que ajude a instalação e permanência de fauna silvestre.

O consumo de alimentos ecológicos ajuda a regenerar agrossistemas, pois o agricultor ecológico se vale da biodiversidade para, futuramente, tirar seu cultivo.

Conservação de espécies e espaços naturais

Como no tópico anterior, este também um âmbito especializado, que deve ser deixado nas mãos de especialistas e autoridades ambientais. No entanto, devido ao uso que fazemos da Natureza, através de atividades ao ar livre, é imprescindível seguir instruções básicas de comportamento para evitar a deterioração ambiental nos espaços naturais onde desenvolvemos nossa atividade.

Evitar qualquer comportamento que compreenda um risco de incêndio, por mínimo que seja: não acender fogueira nos espaços naturais, não jogar vidros ou objetos suscetíveis de gerar labaredas ou fontes de calor, não jogar bitucas de cigarros, e no geral, seguir escrupulosamente todos os conselhos para prevenir incêndios florestais.

Não deixar sobras de nenhum tipo.

Se praticamos esportes ao ar livre, não produzir alterações na vegetação, nem na estrutura do solo.

Não realizar nenhuma atividade (como deixar o solo desprovido de proteção) que possa favorecer a erosão.

Não jogar nenhum material tóxico, por menor que seja.

Não arrancar plantas, não tirar suas flores e sementes, nem matar pequenos animais.

Não alterar estruturas que possam servir de refúgio ou habitat para animais ou plantas.

Se possível, caminhar por trilhas.

Na praia, não alterar a paisagem, por simples que isso possa parecer. Não alterar as dunas, respeitar a vegetação. Não coletar pequenos animais nem conchas. Não retirar as algas.

Em qualquer lugar, não soltar animais exóticos ou não pertencentes à fauna local.

Se queremos nos desfazer de um bicho de estimação, entregá-lo a um local próprio ou centro de proteção.

Informar à autoridade civil mais próxima qualquer delito contra o meio ambiente, assim como, sobre qualquer situação anômala ou acidental que possa gerar deterioração da Natureza.

Manuel J. Ruiz

MATÉRIA ESCURA

Charles César Couto

A ciência moderna se deparou com um fenômeno que denominou de matéria escura.  Vejamos o que tem a dizer sobre isso o físico Marcelo Gleiser:

“O astrônomo americano Carl Sagan dizia que somos poeira das estrelas. Os elementos dos quais somos compostos, como o carbono, o nitrogênio e o oxigênio, vieram dos restos mortais de estrelas que existiram antes da formação do nosso Sistema Solar, há aproximadamente 5 bilhões de anos. Quando as estrelas morrem, explosões gigantescas espalham sua matéria através do espaço interestelar. Pois é essa matéria que, fazendo parte da Terra, encontra-se em nossos ossos e órgãos.

O interessante é que essa matéria, composta de prótons, nêutrons e elétrons, não tem muita relevância cósmica. Sem dúvida, é ela que compõe as estrelas e as nuvens de gás que observamos pelo Universo afora, mas esse tipo comum de matéria, que é chamada de matéria bariônica, não consiste em mais do que 1/6 da matéria total existente no Universo. A maior parte não tem nada a ver com a matéria da qual somos feitos. Não é composta de prótons e elétrons e não forma astros luminosos, como estrelas. Nós só percebemos sua existência através da atração que ela exerce sobre a matéria luminosa comum. Por isso, esse tipo exótico de matéria é conhecido como matéria escura. Um dos grandes desafios da física moderna é desvendar a natureza dessa matéria. Se ela não é feita de átomos comuns, do que é feita?

Antes de abordarmos essa questão, vale notar que planetas, asteróides, ou outros astros que não produzem a própria luz (como fazem as estrelas), mesmo se feitos de átomos comuns, também são matéria escura. Eles são considerados matéria escura bariônica, menos interessante, e já incluída no 1/6 mencionado acima. Portanto, quando falamos em matéria escura exótica, nos referimos àquela que não é composta de prótons e elétrons, ou seja, os outros 5/6 da matéria cósmica, de composição desconhecida.
A maior pista que temos da existência de matéria escura é obtida quando se observa como as galáxias giram, pois, como tudo mais no cosmo, galáxias também giram em torno de seu eixo central. A velocidade de rotação é medida observando-se a luz de estrelas posicionadas a distâncias variáveis do centro. Se a galáxia fosse feita de matéria bariônica comum, a velocidade chegaria a um valor máximo a uma certa distância e cairia em direção à borda. O que se observa é que a velocidade cresce e chega a um valor aproximadamente constante, sem diminuir na proximidade da borda. A explicação mais plausível é que existe mais matéria na galáxia do que aquela que produz luz. Essa matéria escura circunda a galáxia como um véu invisível, cuja massa altera a sua velocidade de rotação. As observações confirmam que todos os tipos de galáxia têm esse comportamento. A matéria escura está por toda parte.

Uma das teorias mais aceitas é que essa matéria escura é composta por partículas submicroscópicas exóticas, muito diferentes dos prótons e elétrons que formam os átomos normais. Caso isso seja verdade, deveria ser possível detectá-las aqui na Terra, na medida em que nosso planeta passeia pelo véu de matéria escura circundando a galáxia.”

Encontramos na Doutrina Secreta, escrita por Helena Blavatsky, uma exposição sobre a existência de uma matéria além das nossas percepções.

A ciência da época teve que admitir a existência de uma matéria assim para conseguir explicar a rotação e a gravidade.

O prof. Jorge Angel Livraga, em suas conferencias, aborda o fato de que, possivelmente, a luz como nós a conhecemos teria vindo de uma matéria mais sutil, o que na filosofia hindu era denominado Daiviprakriti (A Luz Divina ou Fohat) que, por sua vez, emana do Logos, uma inteligência do universo.

Exploraremos mais esse assunto num próximo artigo.

Bibliografia:

Echenique, Michel. A Filosofia das Artes Marciais, 1ª ed. Belo Horizonte, Edições Nova Acrópole, 1994

Blavatsky, Helena P., Doutrina Secreta vol II, 12a ed. São Paulo, Pensamento, 1997, 395p.

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